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sábado, 12 de abril de 2014

O diário de um mago

WandNews – 35ª edição
Jornalismo Wando


O beijo no coração dessa semana vai para o escritor brasileiro mais famoso do mundo, o nosso mago Paulo Coelho. Essa semana o escritor expressou toda sua revolta contra a realização da Copa do Mundo no Brasil e, segundo a revista Época, "está decepcionado com o governo, a FIFA e os escritores nacionais”.

"Não vou à Copa, embora tenha ingressos. Eu não posso estar dentro do estádio sabendo o que se passa lá fora com os hospitais, a educação e tudo o que o clientelismo do PT tem renegado muito”.
O curioso foi relembrar do entusiasmo do nosso mago em 2007, quando foi integrante da delegação brasileira na disputa do país sede para a Copa desse ano.




Na ocasião, Coelho chegou a chamar o presidente da FIFA, Joseph Blatter, de "cher ami" ("querido amigo") e deu fortes declarações em favor da candidatura brasileira.


Sacramentada a vitória do Brasil, o escritor comemorou:
“A partir de hoje, começa uma vitória que durará sete anos. O que vemos na Seleção, vemos no povo. O trabalho árduo, a capacidade de sonhar e sua criatividade. Honraremos como povo brasileiro essa possibilidade”.

Nessa época nossas escolas e hospitais não eram padrão-Fifa, Blatter não era exemplo de honestidade e a política do PT não era tão diferente da atual. Isso pra não dizer que o Romário ainda não era deputado.



O que de fato aconteceu pro mago ter mudado de opinião? Será que foi porque o governo não levou seus amigos escritores pra Feira de Frankfurt no ano passado? Ou é apenas a tal metamorfose ambulante?


Comentário do Senhor C.:

- Com a devida data venia ao Raul Seixas!


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A mídia e o "vale de lágrimas"

Vale de Baca, que nas orações católicas é saudado como o 'vale dos degredados, das lamentações e do choro"

Por Venício A. de Lima, no Observatório da Imprensa:

Assim como outros milhares da minha geração, nascidos em famílias católicas, ainda criança aprendi a popular oração “Salve Rainha” que inclui a súplica: “A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas” [Ad te clamamus, exsules filii Hevae, ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle].

Segundo a Wikipedia, “a autoria da oração é atribuída ao monge Hermano Contracto, que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenan, na Alemanha. Naquela época, a Europa central passava por calamidades naturais, epidemias, miséria, fome e a ameaça contínua dos povos nómadas do Leste, que invadiam os povoados, saqueando-os e matando” (ver aqui).

Cresci repetindo mecanicamente esta súplica sem saber o que poderia ser “um degredado filho de Eva” ou, muito menos, por que razão estaríamos todos a “suspirar, gemer e chorar” num “vale de lágrimas”.

Com o tempo, ensinaram-me que o “pecado original” nos tornava a todos “degredados”, e que a expressão “vale de lágrimas” tinha sua origem numa passagem do Salmo 84 [na numeração da Bíblia Hebraica], conhecido como Salmo dos Peregrinos.

Anos mais tarde, me dei conta de que, no Salmo 84, o significado literal de “vale de lágrimas” é muito diferente daquele que prevalece na interpretação cristã dominante.

[Registro, embora este não seja o objetivo aqui, que palavras e expressões mudam de significação ao longo do tempo, da mesma forma que palavras são introduzidas no nosso cotidiano e passam a constituir uma nova linguagem, um novo vocabulário dentro do qual se aprisionam determinadas formas de pensar e ver o mundo. Ver, por exemplo, “A linguagem seletiva do ‘mensalão’“.]

Baca e as lágrimas
A tradução literal da passagem do Salmo 84 no original hebraico é:

“Bem-aventurados os homens cuja força está em Ti, em cujo coração os caminhos altos passando pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; e a primeira chuva o cobre de bênçãos.”
Na Vulgata Latina (Salmo 83), no entanto, que serve de referencia para as interpretações cristãs, o “vale de Baca” é substituído por valle lacrimarum:

“Beatus vir cui est auxilium abs te ascensiones in corde suo disposuit in valle lacrimarum in loco quem posuit etenim benedictiones.”
Na verdade, a palavra hebraica “baca” significa tanto lágrima, choro, como bálsamo. As “balsameiras” (amoreiras) são árvores que “choram” porque produzem uma resina de cheiro agradável, o bálsamo, palavra que, figurativamente, significa conforto, lenitivo, alívio. Esta é razão pela qual o vale, ao norte de Enom, recebeu o nome de Baca: é o vale das árvores que “choram”. Ele era também a última etapa da peregrinação, na encruzilhada das estradas que vinham do norte, do oeste e do sul, com destino ao Templo em Jerusalém.

Os peregrinos, que chegavam até Baca, depois de uma longa caminhada, eram bem-aventurados e poderiam transformar as chuvas em fontes (de água) e de bênçãos.

Na pregação cristã, ao contrário, o “vale das árvores que choram” foi se transformando no “vale de lágrimas” e até mesmo no “vale da morte”, uma condição inescapável da vida humana, uma sequência de sofrimento e purgação para os pecadores na busca do perdão de Deus.

Um pastor presbiteriano assim descreve o vale de Baca:

“É muito indesejável. a) É árido. Não tem rios de alegria; os poços, cavados por alguns dos peregrinos que nos antecederam ou por nós mesmos são, muitas vezes, “cisternas rotas que não retêm as águas” (Jeremias 2.13). b) É pedregoso. Os peregrinos conseguem remover as pedras menores, não as grandes; a caminhada é muito sofrida; muitos tropeçam e caem. c) É escuro. As trilhas serpenteiam entre rochas de angústia e montanhas de pecado; o Sol da Justiça esconde-se por trás destas e o vale fica muito sombrio. d) É extenso. Os peregrinos sabem que Sião está à frente, mas não podem vê-la; a caminhada parece não ter fim. Muitos ficam desencorajados. e) É infestado. Há espíritos maus neste vale. Eles tentam; fazem insinuações malditas e sugestões blasfemas: armam ciladas, lançam os “dardos inflamados do maligno” (Efésios 6.11,16) [ver aqui].

Esta é a significação que “vale de lágrimas” (Baca) tem na oração “Salve Rainha”. É um mundo pleno de misérias e obstáculos.

Ajuda divina
Toda essa introdução é para observar que um visitante estrangeiro que desembarque no Brasil e que tome como referência as notícias diariamente veiculadas na grande mídia brasileira se convencerá de que o “vale de lágrimas” da interpretação cristã do Salmo 84 é aqui, hoje e agora.

No enquadramento padrão do jornalismo praticado entre nós, até mesmo as notícias eventualmente “boas” são acompanhadas de comentários irônicos e jocosos insinuando que alguma coisa deu ou dará errado, mantendo-se o “clima geral” de que estamos vivendo numa permanente e irrecorrível sequência de sofrimento e purgação de pecados.

Dia desses, fiz um teste assistindo ao noticiário local da concessionária de televisão líder de audiência do Distrito Federal. Além das chamadas de abertura e passagem, nos três blocos de notícias, cada um com três matérias, todas tinham um enquadramento negativo e crítico: o hospital universitário, que finalmente iniciaria uma necessária reforma na sua maternidade, criava um novo problema para as grávidas, pois elas teriam que procurar outros hospitais; o subsecretário de Segurança era criticado (justamente) por referir-se a uma pessoa desaparecida e encontrada morta sob suspeita de ter sido assassinada por policiais como “um zé”; um incêndio no Cerrado, incomum nesta época do ano, tinha causado uma enorme fumaça e atrapalhado a visibilidade dos motoristas, mesmo combatido e controlado pelo Corpo de Bombeiros; em algumas regiões do Distrito Federal faltavam vagas para crianças de zero a cinco anos, perto de suas casas, nas creches públicas; as chuvas estavam provocando buracos nas ruas de uma cidade satélite onde as “bocas de lobo” estão entupidas e com as tampas quebradas; em outra satélite há um cruzamento onde a falta de um semáforo tem dificultado a travessia e provocado acidentes; e, por fim, o retrato falado de um suspeito de praticar sequestros relâmpago é divulgado com o inescapável comentário sobre a crise na segurança pública.

Por óbvio, o “vale de lágrimas” não é a única característica do jornalismo brasileiro que omite e/ou enfatiza seletivamente aquilo que atende mais ou menos aos seus interesses, implícitos e/ou explícitos. De qualquer maneira, o noticiário televisivo do Distrito Federal, escolhido aleatoriamente, é apenas um exemplo de um padrão que se repete várias vezes ao dia, todos os dias.

Não haveria nada de positivo eventualmente acontecendo e merecedor de ser noticiado neste pedaço do planeta “descoberto” por Cabral?

No jornalismo do “vale de lágrimas” que vem sendo praticado pela grande mídia, salvar o Brasil, só com ajuda divina.

Vamos todos rezar o “Salve Rainha”.


Comentário do Senhor C. : AMÉM!!!!



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Os mitos populares sobre o bolsa-família

por : Fabiano Amorim




Ao ouvir duas ou mais pessoas discutindo sobre o bolsa-família, é normal ouvir frases do tipo “Agora com esse bolsa família ninguém mais quer trabalhar”, ou “o governo tira dinheiro do trabalhador para sustentar vagabundo”, ou “isso é uma bolsa-esmola”. Muitas dessas frases são simplesmente repetidas pelas pessoas sem que as mesmas reflitam ao menos um pouco sobre o que estão dizendo.

A maioria das pessoas sequer tem noção de quanto é o valor do bolsa família. É um valor baixíssimo que depende da renda da família, da quantidade de filhos e de outros fatores. Para você ter uma ideia do quanto esse valor é baixo, uma família que ganhe menos de 70 reais por pessoa e que tenha 2 filhos, receberá apenas 134 reais por mês. Você acha que alguém vai deixar de trabalhar porque vai receber 134 reais do governo?

Muitos pensam que as famílias que têm muitos filhos recebem muito dinheiro. Não poderiam estar mais enganados. Para receber 268 reais, é necessário que a família tenha renda de menos de 70 reais por pessoa e tenha 5 filhos. O valor máximo do bolsa família chega a 306 reais, atendendo a outras condições adicionais.

Essa história em que os beneficiários do bolsa família não querem mais trabalhar entra em total conflito com o fato de que estamos hoje com as menores taxas de desemprego da história brasileira. Fechamos outubro com uma taxa de 5,2% de desemprego. Só para efeito de comparação, o desemprego na Alemanha hoje é de 6,5%, nos EUA é de 7,3% e na França 10,9%. Portanto esse argumento é muito falho e não há nada que o justifique.

Outra fala muito comum que se ouve, é que aqueles que recebem o bolsa-família ficam dependentes desse dinheiro e jamais vão se esforçar para melhorar de vida. Esse é mais um engano de quem se informa muito pouco sobre o assunto. Entre outubro de 2003 e fevereiro de 2013, cerca de 1,69 milhão de famílias abriram mão voluntariamente do bolsa família após terem sua renda aumentada e não precisarem mais do benefício.

O bolsa família é um programa emergencial que visa garantir uma renda mínima que ao menos permita que uma família muito pobre tenha sua condição de pobreza aliviada, até que os membros dessa família consigam empregos que permitam com que ela caminhe com as próprias pernas. O bolsa família é imprescindível enquanto a família está na miséria. O valor recebido é bem baixo, mas faz uma diferença muito grande para os que se encontram nessas condições.

Para manter o benefício do bolsa-família também é necessário manter os filhos na escola com frequência entre 75% e 85%, os menores de 7 anos vacinados, além de outras condições. A permanência dos filhos na escola é fundamental para possibilitar que eles tenham um futuro melhor que os seus pais. Esse é mais um ponto positivo para o bolsa família, mas ainda precisamos que os governos invistam muito mais na educação pública básica, pois estamos muito longe de termos uma escola de qualidade para essas crianças e adolescentes.

Por outro lado, também existem os mitos criados pelos governos Lula e Dilma sobre a eficácia do bolsa família na eliminação da miséria. Recentemente houve a cerimônia de comemoração pelos 10 anos do bolsa família, em 30 de outubro. Nesse evento o governo afirmou que o programa teria retirado 36 milhões de pessoas da miséria. Isso é um grande absurdo.

Hoje o índice utilizado pelo governo para classificar uma família como “miserável” é o da renda equivalente a 70 reais por pessoa, um índice baixíssimo. Com base nisso, se uma família de 5 pessoas alcançar uma renda total igual a 351 reais, essa família é considerada pelo governo como retirada da miséria. O pior é que esse índice está defasado, pois não foi alterado desde junho de 2011.

O bolsa família é um programa emergencial que retira as pessoas da miséria apenas tecnicamente. Faz com que uma família que ganhava 50 reais por cabeça passe a ganhar, por exemplo, 75 por pessoa, excluindo essa família das estatísticas de miséria, mas na prática essa família continua vivendo na miséria.

Durante os governos Lula e Dilma foram gerados mais de 10 milhões de empregos. Esses empregos é que conseguiram retirar muita gente da miséria e não o bolsa família. A partir de quando a família consegue sustentar-se por conta própria, sem a ajuda do bolsa família, aí sim pode-se afirmar que aquela família foi retirada da miséria.

É terrível que a Dilma e o Lula usem os números da redução técnica da miséria como se fossem indicadores de redução real da mesma. Isso cria uma ilusão. A miséria continua existindo, mas como está fora dos indicadores estatísticos, muitos não têm conhecimento da sua real dimensão, dificultando muito a solução do problema. Como vamos pensar na solução de um problema que não existe?

Em maio deste ano, o jornal Folha de São Paulo requisitou ao Ministério do Desenvolvimento Social a informação de quantas famílias no país ganhavam menos que 77,5 reais, ou seja, os 70 reais corrigidos pela inflação do período. O impressionante nos dados revelados é que a quantidade de pessoas abaixo da linha da pobreza passaria de 0 para 22 milhões de pessoas se o índice fosse corrigido. Com isso, está explicado o motivo de o governo não reajustar o índice.

O episódio do boato sobre o fim do bolsa família ocorrido neste ano nos mostrou o quanto o programa é imprescindível e quantos dependem dele. Torcer pelo fim do bolsa-família é o mesmo que torcer para que as pessoas que vivem hoje na miséria passem a viver muito pior. O bolsa família deve ser mantido pelo tempo que for necessário, mas é importante que continuemos cobrando do governo que invista numa educação pública de qualidade, num bom tratamento de saúde nos hospitais públicos, num transporte mais barato ou gratuito para os mais pobres, que aumente a geração de empregos com carteira assinada, dentre outras coisas, para que a vida de todas essas pessoas que ganham tão pouco possa melhorar e que caminhemos rumo ao fim da miséria real e não apenas estatística.




Sobre o AutorFabiano Amorim é nascido em Palmeiras dos Índios, e atualmente mora em Maceió, Alagoas. Ele escreve no blog http://fabiano-amorim.blogspot.com.br. É autor do aclamado documentário “Derrubaram o Pinheirinho”, sobre a reintegração de posse do acampamento Pinheirinho em São Jose dos Campos.


Comentário do Senhor C.:

- Publicado aqui pelos méritos do texto. Sem apologias, sem idelogismos e/ou outros trismos fundamentalistas que assolam o debate de idéias na contemporaneidade.

domingo, 23 de junho de 2013

AS 10 MENTIRAS SOBRE A PEC 37

De Danilo Tarpani:

1) Retira o poder de investigação do Ministério Público.
MENTIRA. Não se pode retirar aquilo que não se tem. Não há no ordenamento constitucional pátrio nenhuma norma expressa ou implícita que permita ao Ministério Público realizar investigação criminal. Pelo contrário, a Constituição impede a atuação do MP ao dizer que a investigação criminal é exclusiva da Polícia Judiciária.

2) Reduz o número de órgãos para fiscalizar.
MENTIRA. Muito pelo contrário. Quando o Ministério Público tenta realizar investigações criminais por conta própria ele deixa de cumprir com uma de suas principais funções constitucionais: o de fiscal da lei. Além disso, não dão atenção devida aos processos em andamento, os quais ficam esquecidos nos armários dos Tribunais por causa da inércia do MP. Os criminosos agradecem.

3) Exclui atribuições do Ministério Público reconhecidas pela Constituição, enfraquecendo o combate à criminalidade e à corrupção.
MENTIRA. A Constituição Federal foi taxativa ao elencar as funções e competências do Ministério Público. Fazer investigação criminal não é uma delas. Quando o Ministério Público, agindo à margem da lei, se aventura numa investigação criminal autônoma, quem agradece é a criminalidade organizada, pois estas investigações serão anuladas pela justiça.

4) Vai contra as decisões dos Tribunais Superiores, que já garantem a possibilidade de investigação pelo Ministério Público.
MENTIRA. A matéria está sendo examinada no Supremo Tribunal Federal. Em vez de tentar ganhar poder “no grito”, o MP deveria buscar o caminho legal que é a aprovação de uma Emenda Constitucional.

5) Gera insegurança jurídica e desorganiza o sistema de investigação criminal. MENTIRA. O que gera insegurança jurídica é o órgão responsável por ser o fiscal da lei, querer agir à margem da lei, invadindo a competência das Polícias Judiciárias. A investigação criminal pela Polícia Judiciária tem regras definidas por lei, além de ser controlada pelo Ministério Público e pelo Judiciário. Por ser ilegal e inconstitucional, na investigação criminal pelo Ministério Público não há regras, não existe controle, não há prazos, não há acesso à defesa e a atuação é arbitrária.

6) Impede o trabalho cooperativo e integrado dos órgãos de investigação.
MENTIRA. Cooperação e integração não é sinônimo de invasão de competência. Quando cada um atua dentro dos seus limites legais, a Polícia Judiciária e o Ministério Público trabalham de forma integrada e cooperada. Entretanto, a Polícia Judiciária não está subordinada ao Ministério Público. O trabalho da Polícia Judiciária é isento e imparcial e está a serviço da elucidação dos fatos. Para evitar injustiças, a produção de provas não pode estar vinculada nem à defesa, nem a acusação.

7) Polícias Civis e Federal não têm capacidade operacional para levar adiante todas as investigações.
MENTIRA. O Ministério Público não está interessado em todas as investigações, mas só os casos de potencial midiático.

8)É uma falácia dizer que o Ministério Público vai desafogar o trabalho das polícias. Não tem apoio unânime de todos os setores da polícia.
FALÁCIA. Quem estiver contra a PEC da Cidadania deveria ter a coragem de revelar seus reais interesses corporativos, os quais estão longe do ideal republicano. Não é possível conceber uma democracia com o Ministério Público reivindicando poderes supremos de investigar e acusar ao mesmo tempo.

9) Vai na contramão de tratados internacionais assinados pelo Brasil.
MENTIRA. Os tratados internacionais ratificados pelo Brasil, entre eles a Convenção de Palermo (contra o crime organizado), a Convenção de Mérida (corrupção) e a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional determinam tanto a participação do Ministério Público quanto da Polícia Judiciária. Entretanto a participação de cada um, assim como das demais autoridades, está regulada no ordenamento jurídico pátrio que não contempla a investigação criminal autônoma produzida diretamente 
pelos membros do Ministério Público.

10) Define modelo oposto ao adotado por países desenvolvidos.
MENTIRA. O Brasil, junto com os demais países da América Latina, comprometeu-se com o sistema acusatório, onde a Polícia Judiciária investiga e o Ministério Público oferece a denúncia. Os países europeus que atualmente adotam o sistema misto, com juizado de instrução, estão migrando para o mesmo sistema adotado pelo Brasil. A ADPF e a ADEPOL são a favor da PEC da cidadania 37.

Compartilhe e ajude a desmascarar as mentiras que prejudicam o combate à corrupção.


Acréscimo do Senhor C.:

- São dez mentiras que só confundem a massa de desavisados e (des)informados pelas redes sociais (???), difundindo slogans e bordões sem o mínimo de esforço de checar as fontes, buscar mais informações ou, simplesmente, pensar a respeito. O verdadeiro movimento de acordar o gigante adormecido começa por aí!


quarta-feira, 15 de maio de 2013

E agora, Marina? Deve ser difícil se equilibrar na corda-bamba!


“Feliciano está sendo mais hostilizado por ser evangélico que por suas declarações equivocadas”, declarou a ex-ministra, sobre o deputado do PSC e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; segundo ela, o que se verifica é a substituição de um preconceito por outro;
"Hoje, se tenta eliminar o preconceito contra gays substituindo por um preconceito contra religiosos”.

Na foto: a ex-senadora e o 'nobre' deputado.

Comentário do Senhor C.:

 - Dizer o quê. Cobrar coerência dos outros, só é bom quando se trata de fustigar o PT, não é? 
No mais, os outros são todos mortais comuns, e como bêbados e/ou equilibristas, tentando se manter em pé na corda bamba do interesse politiqueiro (afinal, o indigitado deputado perseguido pelas hostes sociais, como quer a ex-senadora é membro de um partido que pode ser seu braço eleitoral) e as escolhas morais e de interesses humanitários, coisa que o deputado em tela não faz senão afrontar a cada dia que passa. Isso deve funcionar para juízes do supremo que exorbitam de seus poderes, procuradores que envergonham a instituição a que devem servir, e parlamentares ou ex que fazem toda sorte de contorcionismos para justificar ou tornar imperativos seus interesses paroquiais politiqueiros. Quando agem assim, não passam de seres humanos, demasiado humanos. Já quando o indigitado humano é abrigado sob a alcunha de "companheiro"...então...o inferno é aqui e agora, e o Diabo parece ter acordado ainda com mais mal humor do que o habitual.

- Soa espanto, de fundo, a tal menção de 'declarações equivocadas'. Quer dizer que disseminar e assumir publicamente, a partir do exercício de função parlamentar, posições homofóbicas, racistas e reacionárias não passa de 'declarações equivocadas'? Ah, é?! Estou me sentindo um...bem, deixa pra lá.

Avante Marina. Siga consolidando a sua morte em vida. Talvez, até 2014 sua atuação a leve para o fim da história ou a transforme em não mais que uma árvore mítica dos seringais de onde saiu.




quarta-feira, 8 de maio de 2013

Melhor notícia: Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe, diz estudo

Só faltava essa!

No topo da lista, elaborada entre 176 países, está a Finlândia, enquanto a República Democrática do Congo está em último
Opera Mundi

Cuba é o melhor país da América Latina para a maternidade e o 33º do mundo, segundo um índice da organização britânica Save the Children. No topo está a Finlândia e a República Democrática do Congo em último. Os Estados Unidos estão em 30º lugar.

A ONG, cuja sede fica em Londres, leva em conta fatores como bem-estar, saúde, educação e situação econômica das mães, assim como a taxa de mortalidade infantil e materna, para definir a tabela.

Levando em conta somente a América Latina e Caribe, Cuba está à frente da Argentina (36), Costa Rica (41), México (49) e Chile (51). O Haiti está no 164º lugar. Também em postos relativamente baixos estão Honduras (111), Paraguai (114) e Guatemala (128). A Venezuela está em 66º.

"Apesar de a América Latina ter conseguido enormes avanços, podemos fazer mais para salvar e melhorar a vida de milhões de mães e bebês recém-nascidos que se encontram na maior situação de pobreza", afirmou o diretor da Save the Children para a América Latina, Beat Rohr. Ele disse que os maiores avanços foram registrados no Brasil, Peru, México e Nicarágua.

O Índice de Risco do Dia do Parto, elaborado pela primeira vez, revela que 18 % de todas as mortes de crianças menores de 5 anos na América Latina ocorrem durante o dia de nascimento. As principais causas são nascimentos prematuros, infecções graves e complicações durante o parto.

Contudo, a mortalidade neonatal na região diminuiu 58 % nas últimas duas décadas, apesar de ainda existir uma grande diferença na atenção dada às pessoas ricas e às com menos recursos, ressalta o estudo. A Save the Children estima que, a nível mundial, mais de um milhão de recém-nascidos poderiam ser salvos todos os anos caso o acesso à saúde fosse universal.

"Quando as mulheres têm educação, representação política e uma atenção materna e infantil de qualidade, elas e seus bebês têm muito mais probabilidades de sibreviver e prosperar, assim como a sociedade na qual vivem", sublinhou Rohr.



Comentário do Senhor C.:

- Sei não, tenho a impressão de que o comunismo fez mais vítimas na elegante City londrina. 
Cuba, melhor país da América Latina para ser mãe?! Que coisa! Não acredito!!!

A considerar o que ouvimos aqui a respeito da Ilha, só pode ser mentira! 
Isso é coisa de comunistas, que, como sabemos, faz décadas, comem criancinhas. Deve ser por isso, que cuidam melhor da maternidade. Estarão pensando na sua própria nutrição?

Só pode ser mentira! Lógico! 

Este país é uma farsa. Deve ter comprado o apoio da tal ONG com rios de dinheiro para eles divulgarem notícias de interesse da elite dirigente da ILHA. 
Não passa de uma ditadura extemporânea já passou do ponto de cair; 
não é mais que um reduto da mistificação e venda de ilusões com respeito a qualidade de sua medicina e de sua saúde pública; 
é átrio do inferno comunista que ameaça há 50 anos a estabilidade econômica dos EUA (coitadinho deste país: tão longe de Deus, tão perto de Cuba). 

E agora mais essa!

E pior: aqui entre nós, ainda está ativo o militante cubano mais brasileiro,  um tal de Fernando Morais, escritor e jornalista, que insiste, há pelo menos três décadas em publicar aleivosias dignas de uma Macondo imaginária, a la Gabriel Garcia Marquez. Segundo nosso escritor aquela ilha é povoada por sonhos realizados e outras façanhas. Sua mais recente história (Os últimos soldados da guerra fria - 2011), agora inventou cinco heróis cubanos presos nos EUA por ações de contra-terrorismo que mais parecem saídos da série de James Bond e outras maravilhas mais. É, disparado, nosso melhor ficcionista. Ou será o contrário?!
Arre égua! Quando é que os cubanos vão parar com isso?




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Rede Globo recebeu R$ 5,9 bi de propagandas federais em 12 anos


O governo federal engordou os cofres da rede Globo e garantiu o maior lucro da história do conglomerado de mídia em sua história. 

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou em seu site os dados dos gastos publicitários do governo federal até o ano de 2012. Os relatórios evidenciam que o meio de comunicação com maior investimento é a televisão, que representa mais de 50% das verbas e registrou aumento nos últimos doze anos.

Em 2012, cerca de 62,3% das verbas foram para a televisão e, desses, 43,98% foram investidos na emissora líder de audiência. Esse índice é menor do que a maioria dos valores dos anos anteriores, embora seja maior do que o investido em 2011 (41%). De 2000 a 2012, a Rede Globo recebeu quase R$ 5,9 bilhões de propagandas federais. A segunda maior emissora recebeu 15,49%. De acordo com a Secom, a destinação das verbas deve ser “proporcional ao tamanho e ao perfil da audiência de cada veículo”.
Somente no último ano, o governo gastou mais de R$ 1 bilhão em propagandas para a televisão. Desde 2000, as verbas destinadas a este meio chegam a R$ 10 bilhões.





Os investimentos em jornais diminuíram drasticamente nesses 12 anos, passando de 21,12% em 2000 para 8,15% em 2012. Já a internet, que no início da década apresentava uma porcentagem inexpressiva, em 2012 passou a representar 5,32% das verbas.

Fonte: Sul21


Comentário do Senhor C.:

- Corre nas redes sociais e não-sociais a expressão 'blog sujo', capitaneada pelo decano político de direita, José Serra, em suas campanhas de baixarias eleitorais, para se referir a supostos blogs de esquerda, ou lulopetistas que se locupletariam com dinheiro público para difundir posições e versões de interesse do governo. Mas, diante deste bilionário recebimento da REDE GLOBO é o caso de perguntar: - Seria a poderosa Vênus Platinada - que tantos deserviços presta ao país - o mais típico caso de 'blog sujão'?


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A lista de VEJA dos súditos de LULA III

A coluna LULISTA, segundo o colonista de Veja


Comentário do Senhor C.:

- Proponho que os que se sentiram 'excluídos' possam começar uma lista própria. Desde já, me incluo nela. Mexeu com LULA, mexeu comigo. O jornalismo de 'cloaca' do intitulado 'jornalista' é de dar dó. Mas, no geral, ele juntou gente que é boa companhia. Adoraria estar com muitos deles. Cá entre nós: a inveja é uma merda. Mas pior que ela, é o pecado do ressentimento, da mentira e do cinismo deslavado. Neste sentido, a lista fala por si mesmo: é um produto bem acabado do que há de pior na imprensa brasileira. E o senhor Augusto Nunes encabeça qualquer lista com "honor".


Prisão imediata sem justificação é nazismo jurídico

Supremo?!

Luiz Flávio Gomes


Nos delicados momentos de alto risco para o Estado de Direito e suas garantias, todos nós, por mais que nosso espírito esteja carregado de emoção e de ódio contra os fraudadores do dinheiro público e do poder, de sectarismos partidários ou de preconceitos ideológicos, temos que contar até 10, dar espaço para a razão e raciocinar como juristas e cidadãos preocupados com o futuro da nação, não com imediatismos populistas irracionais, típicos da era nazista de Hitler.

Há um livro que todos os acadêmicos e juristas jamais poderiam deixar de ler: Los juristas del horror (de Ingo Müller).

Quem lê este livro tem a nítida sensação de que a prisão imediata de qualquer réu no país, antes do trânsito em julgado, como mera antecipação da pena, tal como pediu o procurador-geral, sem a presença dos requisitos da prisão preventiva, pouco importando se o réu é rico ou pobre, petista ou peessedebista, preto ou branco, tem todo sabor de exceção, colocando esse ato do procurador-geral, com todo colorido populista, ao lado dos atos idênticos dos juristas nazistas como Goering, Goebbels, Rosenberg, Himmler, Dahn, Schaffstein, Schmitt, tidos como juristas monstros, guiados pelo fanatismo, demagogia e populismo.

Do ponto de vista estritamente jurídico, o pedido do procurador-geral da República é uma aberração, porque ele pede a antecipação da pena, não a decretação da prisão preventiva, com seus fundamentos, o que é refutado pelo STF desde 2009. O STF tem jurisprudência firmada há longo tempo (HC 84.078/MG, de relatoria do Ministro Eros Grau), no sentido de que a execução de uma pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença. Antes disso, somente em casos excepcionais é admitida a prisão preventiva (a execução provisória), quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP. Se um réu ameaçar fugir do país, por exemplo, cabe a prisão preventiva.

Fora disso, é puro populismo penal midiático. Dai a César o que é de César. O que é justo é justo e o que se traduz numa ideia aberrante não pode deixar de ser reconhecida como uma ideia aberrante (consoante os parâmetros jurídicos vigentes). Atos populistas colocam seus autores dentre os chamados "horrendos juristas" (segundo Hochhuth).

O servilismo da justiça nazista ao Executivo (ao Führer) está sendo substituído no século XXI pelo servilismo da justiça ao populismo penal midiático, conforme procurei demonstrar em livro que sairá dentro de poucos dias pela editora Saraiva. O fanatismo e a irracionalidade não podem servir de guias da justiça, a não ser que se queira que ela jogue o jogo do populismo e da demagogia.

Comentário do Senhor C.:

- De fato, eis aí um comportamento que deveria deixar a todos nós, cidadãos, atemorizados. Afinal, como diz o ditado popular, pau que bate em Chico, bate em Francisco. Se esta aberração jurídica acontecer e continuar sendo saudada como fato inaugurador de nova Era para a Justiça, é o caso de se perguntar que Justiça pode esperar o cidadão comum, quando se rasga a Constituição para justiçar supostos poderosos?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Governo paulista finalmente se rende: cota de 50% das vagas em universidades públicas até 2016

O PIMESP elevará para 17,5% a presença de pardos, negros e indígenas nas IES paulistas.
Mas ainda depende de aprovação dos conselhos universitários
William Maia, no UOL

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta feira (20) um plano para aumentar a participação de estudantes de escola pública nas universidades estaduais para 50% até 2016. O Pimesp (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista) pretende elevar para 17,5% o percentual de estudantes pretos, pardos e indígenas no ensino superior público do Estado. A proposta ainda tem que ser aprovada pelos conselhos das universidades.

IBGE
As nomenclaturas "pretos", "pardos", "indígenas", "amarelos" e "brancos" são termos utilizados pelo IBGE em suas pesquisas e servem de referência em estudos que envolvam números do órgão.

Diferentemente do que ocorre em âmbito federal, a proposta do governo paulista para cotas raciais e sociais não garantirá acesso direto desses estudantes a universidades como USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "O objetivo é garantir a inclusão social com mérito", afirmou o governador.

Pela proposta, os alunos egressos do ensino público terão de passar por um curso de dois anos de duração, feito de forma semipresencial, pela Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Esse sistema, cujo ingresso se dará pela nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou do Saresp (sistema de avaliação paulista), responderá por 40% da meta de inclusão, o equivalente a duas mil vagas.

A proposta cria um novo instituto, o Icesp (Instituto Comunitário do Ensino Superior), inspirado nos "colleges" americanos e em um projeto piloto da Unicamp. Ao final do primeiro ano de curso, os estudantes que obtiverem desempenho acima de 70% terão vagas garantidas nas Fatecs (Faculdade de Tecnologia). Para ter acesso às universidades, será necessário completar o segundo ano do curso.

Os 60% restantes das vagas para cotas ficarão a critério de cada universidade, que deverá recrutar alunos de destaque no ensino médio público.

O programa passará a valer a partir de 2014 se os conselhos universitários aprovarem a proposta até maio de 2013. Já no primeiro ano do programa, as universidades deverão destinar 35% das vagas em todos os cursos e turnos a alunos de escolas públicas; em 2015, esse percentual sobe para 43%, atingindo os 50%, em 2016
O governo de São Paulo estima que para atingir a meta de reserva de 50% de vagas será necessário incluir 4.520 novos estudantes de escola pública. Desse número, 2.543 deverão ser pretos, pardos ou indígenas.
"Simulacro de Inclusão Social"

Durante a apresentação do programa, o reitor da USP e presidente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo), João Grandino Rodas, criticou de forma velada o sistema federal de cotas. "O que nós buscamos foi uma inclusão que realmente funcione", disse Rodas, atacando o que ele chamou de "simulacro" de inclusão social, "que não dura muito tempo".

Segundo o governo, o curso do Icesp garantirá um diploma universitário para quem cursá-lo. "Não é uma proposta de reforço ou cursinho universitário", disse Carlos Vogt, presidente da Univesp.

Também será criado um fundo para financiar bolsas de estudo de meio salário-minimo para estudantes de baixa renda.

"É um avanço. Não era exatamente o anseio da comunidade e ainda não ficou muito claro como funcionará. Mas se atingir a grande meta, que é a inclusão do negro na academia, já terá sido um grande feito", disse Marco Antônio Zito Alvarenga, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra.


Comentário do Senhor C.:

- Demorou, ainda demora, mas já é um avanço. É também um reconhecimento do governo tucano à justiça social e ao forte cunho histórico que a política de cotas representa para o país. Vamos acompanhar para ver como se dará sua implantação, porque o solo paulista se é fértil também é prenhe de medidas distorcidas e rejeições federalistas. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

IPEA: Comunicado 158

Comunicado 158 - IPEA

by Senhor C.


Divulgada ontem a razão pela qual a mídia golpista e a direita reacionária continuam perdendo pontos junto ao eleitorado, e vagando cegamente em meio a seu próprio regurgito desconhece ou não encontra os motivos que a fariam adotar práticas e discursos socialmente vencedores.

Assim, enquanto  "analistas" dos jornalões insistem em nos fazer acreditar no fim do mundo, no fim das utopias, e que o Brasil não tem mais jeito, sendo apenas questão de horas para que todas as desgraças neoliberais que assolam a Europa nos conduzam a um estágio de semibarbárie, a realidade nos sacode e nos enche de felicidade.

Esta é a mensagem subliminar, que está lá, no Comunicado 158 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado "2012: Desenvolvimento Inclusivo Sustentável: a queda da desigualdade se acelerou em 2012 e a renda segue em forte alta, informam as famílias brasileiras, que se declaram altamente satisfeitas".

Essa constatação apenas pode surpreender os "especialistas" empenhados em vaticinar desgraças. 
É o resultado de respostas a perguntas padronizadas de questionários internacionais aplicadas em outubro em 3.800 pessoas, e que confirmam o alto grau de felicidade prevalecente no país.
O Comunicado 158 revela que, numa escala de 0 a 10, os brasileiros dão, em média, nota 7,1 para suas vidas. Esse nível colocaria o país em 16º lugar entre 147 países pesquisados no Gallup World Poll, que apontava uma felicidade média de 6,8 no Brasil em 2010.

O bem-estar percebido neste ano pode encontrar razões na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registra desemprego nos menores níveis da série iniciada em 2002 e rendas crescendo bem mais que o PIB per capita.

A renda individual média da população de 15 a 60 anos de idade subiu 4,89% de 2011 para 2012, ante uma taxa média de 4,35% ao ano entre 2003 e 2012.

Já a desigualdade de renda domiciliar per capita caiu em 2012, segundo a PME, a uma velocidade 40,5% maior que a observada de 2003 a 2011 na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), também do IBGE. As rendas que mais crescem são as dos mais pobres e as de grupos tradicionalmente excluídos, como mulheres, negros e analfabetos.

A nota média de satisfação com a vida de quem recebe mais de dez salários mínimos é 8,4, diante de 6,5 de quem vive apenas com o mínimo e 3,7 dos sem renda.

Embora pobre, a região mais feliz do país é o Nordeste, com nota média de 7,38. 
Se fosse um país, o Nordeste estaria em 9º lugar no ranking global, entre a Finlândia e a Bélgica. As médias das demais regiões são 7,37 no Centro-Oeste, 7,2 no Sul, 7,13 no Norte e 6,68 no Sudeste. Eis aí um motivo de inveja bem razoável para termos dos nordestinos.

Mas, creiam-me, logo, logo, algum especialista em economia, ou etnografia, ou sociologia, da estirpe e da verve de um Marco Antonio Villa, estará em algum telejornal ou debate televisivo a brandir teses sobre como deve existir uma relação entre felicidade e ignorância, ou coisa semelhante, de modo a desconstruir uma sensação coletiva medida por instrumentos cientificamente elaborados e ideologiza-la, a exemplo do que já fizeram com os votos dados a LULA e Dilma em três ocasiões sucessivas. 

Enfim...como diriam os camelos: os cães ladram, nós, da caravana, passamos!




segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A história de quem acreditou no sonho

Excelente aluno e filho de pais dedicados, Esaú venceu todas as dificuldades e conseguiu se formar em medicina. Ele recebeu homenagem dos colegas de turma

Margarida Azevedo (mazevedo@jc.com.br)


Esaú é ex-aluno de escola pública e foi aprovado em 1º entre os cotistas
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem


Entre os 78 alunos que colaram grau em medicina, na quarta-feira (12), pela Universidade de Pernambuco (UPE) estava Esaú da Silva Santos, 22 anos. Tornar-se médico, para ele, é a realização de um sonho. Seu e de sua família. De origem humilde, morador da zona rural de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, sua formatura é também uma história de superação. E exemplo para tantos jovens que desistem de encarar um vestibular com medo da concorrência.

No final de 2006 Esaú foi aprovado em primeiro lugar na UPE no grupo de candidatos cotistas. Ingressou na faculdade no primeiro semestre de 2007. Aluno de escola pública a vida inteira, escondeu dos amigos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra, na UR-11, que prestaria vestibular para medicina. “Preferi não contar. Dizia que faria para biologia. Só minha família sabia a verdade. Se falasse para outras pessoas poderia não ter apoio”, relata.

Nos primeiros períodos do curso pensou em desistir. Para chegar à UPE, em Santo Amaro, ele caminhava meia hora. Depois, uma hora de ônibus. Em seguida, outra meia hora no segundo ônibus. “Não tinha condições de pagar as passagens para ir à faculdade. Havia também a incompatibilidade de arcar com livros, xerox, lanches. Minha turma sempre foi acolhedora, os colegas muito simpáticos. Comecei a receber ajuda de várias pessoas. Minha família também sempre me apoiou. Consegui continuar”, diz Esaú.

Esaú e o irmão mais velho, Jacó, hoje com 24 anos e formado em ciências sociais, aprenderam a ler em casa, com a mãe, Quitéria da Silva, que ajuda no sustento da casa vendendo produtos de beleza. O pai, Severino dos Santos, é agricultor. Cursou até a 4ª série, mas sempre estimulou os dois filhos a ler e estudar. “Minha mãe fez dois períodos de letras numa faculdade particular, mas teve que parar. Deixou para mim e meu irmão o sonho de concluir um curso superior”, conta Esaú.

A história do rapaz ficou conhecida nacionalmente em abril de 2008, contada pelo apresentador Fausto Silva em seu programa dominical da Rede Globo. Depois da exibição, muita gente ajudou Esaú. Ele ganhou livros, xerox, alimentos, roupas, sapatos e até móveis. Também dinheiro para reformar a casa.

Segunda-feira passada, na aula da saudade, a turma de Esaú o homenageou. O vídeo com a reportagem do Faustão foi mostrado e deixou o futuro médico surpreso e emocionado. “Todos da turma decidiram homenagear Esaú. Ele sempre foi muito estudioso, dedicado ao curso. É um exemplo que quando se quer é possível realizar um sonho”, afirma Bruno de Moura, 29 anos, da comissão de formatura.

Para o futuro, Esaú planeja concluir a residência em cirurgia geral e se dedicar aos pacientes. Quer também retribuir à família o que recebeu até agora. “Nada é impossível, apesar das dificuldades. Tentarei ser um bom profissional. E espero melhorar a vida dos meus pais e do meu irmão, pessoas tão importantes na minha vida.”

Comentário do Senhor C.:

- Homenagem às centenas de milhares de Esaús e Jacós que, graças a política de cotas, podem sonhar e realizar um futuro melhor e mais digno. E viva a política de cotas que contribui - ainda que homeopaticamente - para fazer do Brasil um país mais justo, um país de todos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

“Doutor, gostaria de uma segunda opinião”

Os doutores sob exame
Como participantes do exame realizado pelo CREMESP aos médicos recém-formados do estado, somos críticos aos dados emitidos pelo Conselho a respeito da Educação Médica e da repercussão dos principais veículos de comunicação do país frente aos dados.

O Conselho tem se mostrado bastante rigoroso na análise e discussão dos resultados, mas não divulga o fato que onze das 120 questões da prova múltipla-escolha foram anuladas logo na divulgação de seu gabarito. Não se divulga também que o Conselho além de não ter como função debater e construir os rumos da educação médica no país, nega-se nos últimos dez anos a construir alternativas com entidades como Associação Brasileira de Educação Médica, contrária ao exame nestes moldes.

Após seis anos de um curso integral e intensivo e centenas de avaliações teórico-práticas, somos obrigados a nos provar como médicos com uma prova mal construída, terminal e longe de ser formulada por especialistas em currículo e formação.

Assim que um ranking é divulgado, verifica-se o órgão que emitiu o parecer, para saber se tem ou não capacidade de coletar informações válidas e aplicáveis.
Isto não aconteceu no caso do Exame do CREMESP. Mesmo com uma prova absolutamente limitada, os dados foram estampados em manchetes como diagnóstico da saúde do país. As ressalvas à prova, em letras miúdas, são ínfimas, comparadas à insegurança frente a um diagnóstico supostamente inquestionável.

No entanto, este diagnóstico apenas reflete a ineficiência de uma única avaliação para medir um conhecimento eminentemente processual. Aprendemos durante seis anos que bons exames são os capazes de fornecer informações sensíveis. No último dia do curso, obrigaram-nos a esquecer tal ensinamento.

O tema do ensino e da situação dos médicos no país é tradição daqueles que acreditam em saúde de qualidade, para além dos interesses dos proprietários das faculdades particulares e mal estruturadas. Ser a favor de uma medicina de qualidade não é ser a favor de qualquer iniciativa de avaliação, a partir do raso argumento “melhor ter que não ter”. Ainda que tenha gerado um grande debate, não há como negar que o exame carrega velado uma ofensiva às opiniões contrárias à empreitada, como o boicote à prova.

Ao invés de procurarmos, fomos procurados por médicos que se afirmam defensores dos nossos interesses. Colhemos os exames e chegaram os resultados. Afirmam que mais da metade de nós está doente e que o prognóstico é complicado. Temos direito de não aceitarmos a sentença, não por termos certeza que a medicina vai bem, mas porque não concordamos com o exame. Queremos uma segunda opinião. Queremos participar do nosso tratamento, não sermos cobaias e manchetes.

Fabricio Donizete da Costa, 24, Henrique Sater de Andrade, 23, são médicos recém-formados pela UNICAMP.

Comentário do Senhor C.:

- Os conselhos profissionais deveriam se ater ao fiel cumprimento de suas tarefas institucionais. No entanto, são omissos em fiscalizar e punir os profissionais infratores e os locais de trabalho comprometidos. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

No lugar dos direitos

A balança representa o equilíbrio da força (peso da Justiça) e o espaço da controvérsia (dois pratos, duas versões, pontos de vista opostos e diferentes). O que acontece quando a Justiça fica com um prato só? 


Janio de Freitas - FSP


O Supremo Tribunal Federal distancia-se da condição de exemplo de instituição democrática. Não por questionamento, aqui incabível, ao seu nível jurídico. Mas, dito de uma vez, a liberdade de pensamento e de expressão da divergência já não são direitos com reconhecimento imediato, pleno e ininterrupto no tribunal incumbido de protegê-los.

A relutância em admitir a divergência e a pressão para confrontá-la tornam-se práticas aceitas ali.

Um momento particularmente ilustrativo na sessão de ontem, entre vários possíveis, foi a abrupta interrupção sofrida pela ministra Cármen Lúcia no instante em que, concluída sua argumentação, expressaria o voto.

Foi cortada por cobrança rude do ministro Joaquim Barbosa, que desejava dela -"antes do seu voto!"- respostas a "duas perguntas" dele. (A primeira, ao lhe dar determinado apoio até então no mínimo incerto, levou à dispensa da segunda).

Ato arbitrário e injustificável. Mas não inovador no que se passa com os ritos próprios do tribunal.

As interrupções não mais se dão só pelas exigências do debate jurídico, das complementações argumentativas e dos questionamentos enriquecedores.

É sempre esperável uma interrupção áspera do relator, quando se insinua uma discordância com sua posição.

Ou o oposto, quando a interrupção viria de um ministro para provável discordância com o relator. Caso assim ilustrativo: em sessão da semana passada, o ministro Ricardo Lewandowski pede um aparte ao ministro Joaquim Barbosa, que fazia uma de suas argumentações.

O pedido foi negado e despachado para depois de concluída a exposição.

Logo em seguida o ministro Luiz Fux interrompeu-a -com assentimento e aprovação de Joaquim Barbosa, que receberia mais um argumento de apoio do colega.

A aspereza está incorporada à linguagem do tribunal há tempos. É uma decorrência de maneiras e relações pessoais. O novo problema vai além, e não adianta fingir-se que inexiste.

O autoritarismo se mostra no Supremo que deve ser o mais sólido baluarte a impedi-lo.

E, em lugar de refutação, o que transparece diante dele é pior do que acomodação: o que a aparência sugere são situações de intimidação da discordância.


Um tribunal de exceção só podia culminar em crise institucional

A nova dupla dinâmica do autoritarismo supremo combinado com o arrivismo declarado


Blog da Cidadania


Deve inquietar a cada cidadão que esteja se produzindo no Brasil uma crise institucional envolvendo os Poderes Legislativo e Judiciário. Enquanto este texto se escreve, o Plenário do Supremo Tribunal Federal ainda não concluiu deliberação sobre perda de mandatos eletivos por réus do julgamento da Ação Penal 470, vulgo julgamento do mensalão.Todavia, o resultado, seja qual for, não irá alterar uma situação que amargura o país.

A divergência entre os ministros do Supremo no que diz respeito àquela Corte entrar ou não em choque com a Câmara dos Deputados ao eventualmente usurpar desta o direito de cassar – ou não – os mandatos dos condenados naquela Ação Penal é uma divergência que só existe porque está em curso no Brasil um julgamento de exceção, do que é prova o fato de que os juízes que o conduzem não se entendem sobre como aplicar penas ou sequer se têm a prerrogativa de determinar a interrupção imediata de um mandato legislativo.

É vergonhoso que após 500 anos de história este país tenha experiência zero em punir políticos acusados de corrupção, pois tal ignorância faz lembrar como o Poder Judiciário brasileiro sempre foi omisso em sua missão constitucional. Mas não é só. Ao vermos como o Judiciário nem sabe como é condenar membros do legislativo até o fim – com cassação, prisão e tudo mais – porque nunca condenou nenhum, somos forçados a refletir sobre por que aquela Corte só começou a condenar agora.

Até hoje, os defensores do tipo de julgamento que se está fazendo no Supremo Tribunal Federal não deram uma só explicação para o ineditismo das decisões que ali estão sendo tomadas. Assim, seja qual for a decisão, será uma má decisão.

O Código Penal entrega ao Judiciário a decisão sobre cassação de mandatos legislativos e a Constituição entrega ao Legislativo. Como o primeiro texto legal só pode existir no âmbito do segundo, se a decisão do STF for desfavorável ao que a Presidência da Câmara dos Deputados advoga para si, será uma decisão inconstitucional.

Todavia, o Judiciário não tem como obrigar a Câmara a cassar ninguém, assim como esta não tem como obrigar aquele a não cassar. Mas como a cassação de um mandato legislativo precisa ser oficializada pela Casa Legislativa, ela pode não cumprir a decisão judicial, o que desembocaria, em tese, na situação de um membro efetivo do Legislativo cumprir pena de privação de liberdade.

Ter o detentor de um mandato legislativo atrás das grades, acima de tudo mandaria ao mundo um recado muito claro, de que um dos Poderes da República, o Poder Legislativo, vê defeitos insanáveis na decisão do Poder Judiciário que condenou aqueles parlamentares.

O julgamento do mensalão, pois, a despeito da decisão do STF sobre competência para cassar mandatos legislativos, ficará tisnado pelas demonstrações de inexperiência de seus condutores em tomar decisões que deveriam ser elementares numa democracia, pois ninguém irá acreditar em que jamais um parlamentar brasileiro acusado de crime foi merecedor de uma sentença de prisão e de perda do mandato, o que torna claro o caráter de exceção desse julgamento vergonhoso.

E para que não digam que não falei de flores, se considero inaceitável que um condenado pela Justiça mantenha mandato popular de qualquer espécie, tampouco é aceitável que um dos poderes da República se oponha a uma determinação de outro e essa discordância fique por isso mesmo, pois, assim, teríamos que considerar que um Poder se sobrepõe ao outro, o que seria a própria negação do conceito de democracia e República.

Comentário do Senhor C.:

- Já é praticamente certo que o mundo não vai acabar em 21 de dezembro, mas os últimos acontecimentos supremos já deixam claro que alguma coisa não será mais como antes...seja porque não se repetirá (caso da exceção), seja porque inclina-se perigosamente para um choque institucional de cujo resultado não se pode antever com clareza.

sábado, 8 de dezembro de 2012

2013 vai ser difícil

O ano que vem será de fortes emoções políticas

por Marcos Coimbra

Um espectro ronda a política brasileira. O fantasma da próxima eleição presidencial.

Este ano já foi marcado por ele.

Ou alguém acredita que é genuína a inspiração ética por trás da recente onda moralista, que são sinceras as manchetes a saudar “o julgamento do século”? Que essas coisas são mais que capítulos da luta política cujo desfecho ocorrerá em outubro de 2014?

A história dos últimos 10 anos foi marcada por três apostas equivocadas que as elites brasileiras, seus intelectuais e porta-vozes fizeram. A primeira aconteceu em 2002, quando imaginaram que Lula não venceria e que, se vencesse, seria incapaz de fazer um bom governo.

Estavam convencidos de que o povo se recusaria a votar em alguém como ele, tão parecido com as pessoas comuns. Que terminaria a eleição com os 30% de petistas existentes. E que, por isso, o adversário de Lula naquela eleição, quem quer que fosse, ganharia.

O cálculo deu errado, mas não porque ele acabou por contrariar o prognóstico. No fundo, todos sabiam que a rejeição de Fernando Henrique Cardoso não era impossível que José Serra perdesse.

A verdadeira aposta era outra: Lula seria um fracasso como presidente. Sua vitória seria um remédio amargo que o Brasil precisaria tomar. Para nunca mais querer repeti-lo.

Quando veio o “mensalão”, raciocinaram que bastaria aproveitar o episódio. Estava para se cumprir a profecia de que o PT não ultrapassaria 2006. Só que Lula venceu outra vez e a segunda aposta também deu errado. E ele fez um novo governo melhor que o primeiro, aos olhos da quase totalidade da opinião pública. Em todos os quesitos relevantes, as pessoas o compararam positivamente aos de seus antecessores, em especial aos oito anos tucanos.

A terceira aposta foi a de que o PT perderia a eleição de 2010, pois não tinha um nome para derrotar o PSDB. Que ali terminaria a exageradamente longa hegemonia petista na política nacional. De fato não tinha, mas havia Lula e seu tirocínio. Ele percebeu que, Com Dilma Rousseff, poderia vencer.

O PT ultrapassou as barreiras de 2002, 2006 e 2010.

Estamos em marcha batida para 2014 e as oposições, especialmente seu núcleo duro empresarial e midiático, se convenceram de que não podem se dar ao luxo de uma quarta aposta errada.

Que o PT não vai perder, por incompetência ou falta de nomes, a próxima eleição. Terão de derrotá-lo.

Mas elas se tornaram cada vez mais descretes da eficácia de uma estratégia apenas positiva. Desconfiam que não têm uma candidatura capaz de entusiasmar o eleitorado e não sabem o que dizer ao País. Perderam tempo com Serra, Geraldo Alckmin mostrou-se excessivamente regional e Aécio Neves é quase desconhecido pela parte do eleitorado que conta, pois decide a eleição.

Como mostram as pesquisas, tampouco conseguiram persuadir o País de que “as coisas vão mal”. Por mais que o noticiário da grande mídia e seus “formadores de opinião” insistam em pintar quadros catastróficos, falando sem parar em crises e problemas, a maioria acha que estamos bem.

Sensação que é o fundamento da ideia de continuidade.

As oposições perceberam que não leva a nada repetir chavões como “o País até que avançou, mas poderia estar melhor”, “Tudo de positivo que houve nas administrações petistas foi herança de FHC”, “Lula só deu certo porque é sortudo” e “Dilma é limitada e má administradora”.

A população não acredita nessa conversa. Faltam nomes e argumentos às oposições. Estão sem diagnóstico e sem propostas para o Brasil, melhores e mais convincentes que aquelas do PT.

Nem por isso vão cruzar os braços e aguardar passivamente uma nova derrota. Se não dá certo por bem, que seja por mal. Se não vai na boa, que seja no tranco.

Fazer política negativa é legítimo, ainda que desagradável. Denúncias, boatos, hipocrisias, encenações, tudo isso é arma usada mundo afora na briga política.

A retórica anticorrupção é o bastião que resta ao antilulopetismo. Mas precisa ser turbinada e amplificada. Fundamentalmente, porque a maioria das pessoas considera os políticos oposicionistas tão corruptos – ou mais – que os petistas.

O que fazer? Aumentar o tom, falar alto, criar a imagem de que vivemos a época dos piores escandalos de todos os tempos.

Produzir uma denúncia, uma intriga, uma acusação atrás da outra.

Pelo andar da carruagem, é o que veremos na mídia e no discurso oposicionista ao longo de 2013. Já começou.

Vamos precisar de estômago forte.

Comentário do Senhor C.:

- Vamos precisar de mais que estômagos. Vamos precisar de exercitar a musculatura cerebral e refletir muito, e criticamente, sobre o que vai ser difundido, principalmente pela mídia, como fatos e verdades inatacáveis. Vamos precisar contra-atacar a hipocrisia, denunciar o farisaísmo e as práticas neofascistas que, travestidas de novidade, nada mais fazem do que defender o velho e o antigo. E queimar reputações é apenas uma de suas formas e variantes.