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terça-feira, 11 de junho de 2013

Fatos e redes sociais: uma convivência sofrível!

Rosa Luxemburgo, Simone de Beauvoir e Emma Goldman na praia?!


Esta foto é um exemplo de como pode haver graves distorções, erros, enganos e toda sorte de tratamento com os fatos históricos quando se usa a rede social para difundir notícias, fatos e outros quetais sem um mínimo cuidado de verificar as fontes, checar dados ou

A foto acima foi amplamente divulgada como reunindo três ícones históricos num momento telúrico de um passeio público na praia. O detalhe, também super icônico é que as três mulheres usam cachimbo. Seriam as três de fato as personagens históricas que apontam serem?

Não! Rosa Luxemburgo foi morta em 15 de janeiro de 1919, data em que Emma Goldman tinha 50 anos e Simone de Beauvoir acabava de comemorar seu 11º aniversário, já que nasceu em 9 de janeiro de 1908.

Essas datas provam além de qualquer dúvida razoável que não são elas nessa foto.
Quem são? Não sei. Se alguém souber, identifique!



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Jovem arregimenta 50 mil para "Golpe comunista"

Fabrício Silva, 19, nasceu em Olinda e mora no Rio. Filho de ex-empregada, estuda para entrar na faculdade. "Não imaginava o sucesso no facebook"


O estudante na praia de Ipanema; Fabrício mora em Botafogo

O estudante Fabrício Silva, 19 anos, nunca esteve tão perto de atingir seu objetivo. Nascido em Olinda e morando no Rio desde 2005, o rapaz é autor do evento de Facebook “Golpe Comunista 2014 no Brasil! Os reaçinha PIRAM!”. Com quase 50 mil confirmados na rede, a página tornou-se uma febre, principalmente por conta das enquetes bem-humoradas criadas pelos usuários.
Inicialmente chamava-se apenas “Golpe comunista 2014 no Brasil!” mas, quando o número de confirmados começou a crescer muito, Silva resolveu fazer o complemento, para ficar claro que não pregava a violência ou algo assim, já que a mãe, uma empregada doméstica aposentada, ficou preocupada com essa história. “Depois até tentei voltar para o nome original, mas não dá mais, o Facebook travou a edição do nome do evento”.
O jovem formou-se no colegial no ano passado, mas não conseguiu entrar na faculdade e agora faz cursinho para entrar no curso de Ciências Políticas da UniRio, que é federal. Sempre militou, “desde os 15 anos, quando eu era do PCOR, não-legalizado, que é o Partido Comunista Revolucionário”. Hoje simpatiza com outras siglas de esquerda, como o PCB e o PSOL, mas não é filiado a nenhum deles. Votou em Marcelo Freixo para prefeito e em Renato Cinco para vereador, ambos do PSOL – Cinco é ligado à Marcha da Maconha carioca. O apoio à Marcha, aliás, é só uma das muitas bandeiras de Fabrício Silva. Logo após a entrevista, participaria de uma manifestação contra o preço das passagens no Rio. O ativista é figura fácil em protestos, seja a favor dos índios da aldeia Maracanã ou contra o pastor Marco Feliciano (PSC-SP).
 

Apesar de ter sido procurado por dois grandes jornais, Silva ainda não havia sido “revelado”. “Uma repórter da Folha falou comigo por uma hora, mas depois me ligou agradecendo, disse que o editor não tinha aprovado a matéria. O Globo também me ligou, mas até agora não saiu nada”.
E gostaria que o golpe comunista de fato acontecesse em 2014? “Claro! Mas é difícil imaginar isso acontecendo de verdade... e acho que nenhum dos partidos que estão hoje aí está preparado para fazer a revolução”.

Lino Bochini
No CartaCapital




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O PT e uma sensação que as pesquisas não medem

Imagem do antigo estádio de vila Euclides: cenário de uma revolução!

por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo


Numa recente palestra na França, aquela em que, ao cobrir, a Folha tirou do contexto palavras do ex-presidente, Lula fez uma declaração de deixar a esquerda brasileira arrepiada, sobre o que ele vê como objetivos do trabalhador (a) brasileiro (a), quiçá mundial: um homem/mulher bonito (a) para casar, uma casinha, um carrinho e um computador/ipad/ipod.

Dado o tom descontraído em que foi feita a declaração, não devemos levá-la ao pé da letra. Porém, fica clara a dimensão material da “ideologia” do lulismo. Lula não se referiu no discurso à necessidade de conquistar o poder para atender àqueles objetivos que havia elencado, talvez um cacoete dos que não querem deixar o jogo muito explícito diante do adversário de classe. Mas ficou subentendido, já que quem discursava era um ex-presidente de dois mandatos.

Lula fez o nome no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Por obrigação de ofício, conheci a cidade operária nos anos 80. Não propriamente nas grandes greves do ABC, nem na história subsequente do Partido dos Trabalhadores. Eu era um repórter de TV iniciante, na TV Globo de Bauru, e vinha a São Paulo cobrir férias de outros repórteres.

Depois que os metalúrgicos inventaram “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, a emissora deixou de enviar repórteres mais graduados para cobrir os eventos no ABC. Sofreram os de escalão médio, que nos contavam histórias passadas. Eu era peão. Fui lá em outras circunstâncias, gravar o Globo Cidade, boletim sobre problemas comunitários.

Estive lá outras vezes, mas neste sábado passei algumas horas em São Bernardo por conta do jogo entre o time local e o Santos, na abertura do Campeonato Paulista.

Lula estava em seu camarote com dona Marisa e cartolas, o que diz muito sobre como o Brasil mudou nos últimos 30 anos. Havemos de concordar que boa parte das mudanças se deveu ao Partido dos Trabalhadores, com seus erros e acertos, virtudes e defeitos.

A mídia corporativa, fiel aos ditames neoliberais do PSDB, mesmo sem querer contribuiu muito com o PT: o partido que ocupa o Planalto há dez anos, que administra estados e centenas de prefeituras, nunca sentiu-se confortavelmente no poder, por conta das críticas diárias e muitas vezes injustas.

E isso, de certa forma, faz bem, já que suscita os debates internos que podem levar o partido a avançar. Ou não.

O fato é que o estádio da Vila Euclides, hoje Estádio Primeiro de Maio, está um brinco. São Bernardo passou por uma transformação completa. A cidade operária é hoje uma cidade de classe média.

Cerca de 15 mil pessoas no estádio e eu, com um amigo, no meio da torcida do Bernô.

Gente de todo tipo, como a gente sempre encontra nas arquibancadas de um estádio.

Muitos superlativos: “O presidente tá aí hoje” (em São Bernardo, Lula não é ex); “tá na SporTv, tem gente do mundo inteiro olhando”; “o Samuel vai acabar com o Neymar”.

Todas as jogadas em que o craque do Santos se aproximava da lateral, as pessoas corriam com os celulares para fotografar (a caminho do Ipad, diria Lula).

Na arquibancada, dezenas de meninos com o corte de cabelo e os brincos do Neymar, não por serem santistas, mas porque Neymar é um produto de seu tempo (e, lembrem-se, ascendeu na vida).
As crianças ao meu lado eram de uma família muito, muito simples.

Estavam todas claramente encantadas com o espetáculo, desde os fogos de artifício da abertura até as malandragens do Neymar. Os pais complementaram a festa com salgadinhos e refrigerantes. Nem a chuva os espantou: a família comprou capas para todos, a 5 reais a unidade.

Apesar da derrota, sairam todos alegríssimos do estádio pelo simples fato de terem participado.

Quem conhece o Brasil, sabe que isso nem sempre foi possível.

Nas minhas viagens pelo país, sempre me encanta ver a alegria espontânea de quem antes não podia e hoje pode. Comprar carne, andar de avião, comprar celular com três chips (para escapar das tarifas altíssimas entre operadoras), comprar a Honda Biz ou Pop.

Fico fascinado especialmente pela liberdade geográfica: quem antes não podia sair de sua região, hoje pode. De moto ou de avião. O cara que economizava na passagem de ônibus hoje vai ao Ibirapuera com a família, aos domingos. Quando o bilhete único do Haddad estrear, preparem-se: o que o cara antes gastava no transporte vai bombar o comércio e o lazer.

O Merval provavelmente se arrepia com tudo isso, mas o fato é que desconhecer estes acontecimentos, em si, turva as análises políticas que ele produz. Estamos falando de algo que escapa ao Ibope ou ao Datafolha.

Por mais que a gente despreze esta ascensão material, ela se traduz também numa sensação de pertencimento que nenhuma pesquisa de opinião é capaz de medir.

Pertencimento equivale, sem ser, a uma libertação de classe.

Faz alguns anos fui ao Quênia fazer uma reportagem sobre a família de Barack Obama.
Ficamos em um hotel de Kisumu, na margem do lago Vitória.

Num momento de folga, fui ao bar do hotel, o mais chique da cidade. Fiquei de papo com o barman. A certa altura ele me contou que até hoje recebia visita de gente vinda dos confins do interior queniano. Aquele hotel tinha sido famoso durante o colonialismo britânico e era segregado, ou seja, exclusivo dos brancos. Tinha a primeira piscina de Kisumu, onde negros não se banhavam.

Alguns visitantes, segundo ele, não consumiam absolutamente nada: vinham para ter certeza de que, agora, podiam entrar. Vinham, olhavam e iam embora, provavelmente concluindo que, sim, os tempos tinham mudado.

Era a certeza de que agora pertenciam. Tinha a sensação, ainda que falsa, de que estavam plenamente integrados à sociedade.

Dividiam os ídolos (o zagueiro Samuel), os líderes (o Lula vem ao estádio comigo), os bens físicos (eu também posso ser explorado por preços caríssimos de refrigerantes) e imateriais (vou botar a foto do Neymar no Face e tirar uma onda desse moleque folgado que eu só via na Globo).

O grande problema da oposição brasileira é que, gostem ou não do PT, o partido está associado a esta sensação compartilhada hoje por milhões de brasileiros.

Colocado de forma simples, o PT pode até ser aquele homem (mulher) feio (a), mas foi o único (a) que, no baile, me tirou para dançar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Agricultores lutam contra “projeto da morte” no RN

Por do Sol em Apodi/RN

Por Gabriela Moncau, na Caros Amigos

Foram 24 horas de ação feminista. Marcando o dia internacional dos direitos humanos, em 10 de dezembro, a Marcha Mundial de Mulheres no Brasil voltou o tema de seus atos pelo país para a situação de Apodi, no Rio Grande de Norte, uma pequena cidade quase na ponta do Brasil.

Nas ruas de Apodi foi realizado o maior dos atos, com a presença de trabalhadores rurais, sindicatos urbanos, estudantes, Movimento dos Trabalhadores sem Terra e milhares de mulheres da Marcha Mundial.

A manifestação denunciou um projeto, capitaneado pelo Ministério da Integração Nacional por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, e com verbas vindas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que pretende implementar um programa de fruticultura irrigada.

Para isso, cerca de 800 famílias, divididas em aproximadamente 30 comunidades rurais, terão de ser despejadas de suas terras e casas onde habitam já há gerações.

Em nenhum momento as comunidades locais, referência nacional em produção agroecológica e familiar, foram consultadas a respeito do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi, cujo custo ultrapassa os R$240 milhões.

Apenas foram informadas que o projeto seria implementado ali, naqueles 14 hectares da Chapada do Apodi, e que teriam algumas ações indenizatórias – obviamente irrisórias perto do prejuízo social, ambiental, material, cultural e pessoal da desapropriação.

“Identificamos que a qualquer momento o projeto deve ser embargado, uma vez que é tecnicamente inviável e inexequível. Aceitar sua continuidade, nos moldes até agora propostos, é assumir o risco do dispêndio de milhões de reais dos cofres públicos sem nenhuma perspectiva de resultado econômico e social além de servir como propulsor de uma das maiores tragédias do sertão nordestino dos últimos cem anos”, constata um dossiê a respeito do projeto, elaborado por diversas organizações sociais, entre as quais o Fórum da Agricultura Familiar de Apodi, Associação dos Pequenos Produtores da Agrovila Palmares, Pastoral Operária RN, Grito dos excluídos e o Centro de Referência em Direitos Humanos UFRN.

Conceição Dantas tem 40 anos e duas filhas. Começou sua militância durante os anos 1980 e logo ingressou no movimento feminista. Militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), ela coordena uma organização chamada Centro Feminista 8 de Março e atua em Apodi, “na luta que questiona o atual modelo de desenvolvimento pautado no agronegócio e na monocultura”.

“Nossa atuação na cidade começou em 2000 no início da construção da MMM e na campanha contra a ALCA [Área de Livre Comércio das Américas]. Fazíamos trabalho de educação popular e organização política”, conta. Em entrevista, Conceição conta quais os impactos desse que ficou conhecido como o “projeto da morte”, quem se beneficiará com ele, e como o movimento está se organizando para a resistência.

Como se desenvolve a agricultura atualmente na Chapada do Apodi?

O município de Apodi se destaca pelo seu potencial agropecuário. É um município de 35 mil habitantes onde 50% se encontram no campo.

Segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE, o município tem o 3º PIB agropecuário do Rio Grande do Norte. Vale lembrar que toda essa produção agropecuária está nas pequenas propriedades. É produzida pela agricultura familiar camponesa.

Na região do vale existe uma grande produção de arroz vermelho e frutas da região. Na chapada existe uma grande produção de mel, a segunda maior do país, uma das maiores produções de caprinovinocultura do Brasil, algodão, milho, feijão, etc.

Há uns dez anos atrás as agricultoras e agricultores iniciaram no município um processo de conversão agroecológica. Hoje várias comunidades, sobretudo os assentamentos, produzem de forma agroecológica.

Até mesmo na produção de arroz no vale que tradicionalmente se produz de forma convencional utilizando agrotóxicos, há várias famílias trabalhando a conversão para agroecologia.

Esse processo vem fazendo do município de Apodi uma referência nacional na produção de alimentos agroecológicos.

O que é o Projeto de Irrigação Santa Cruz de Apodi, coordenado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS)? Por que ele foi apelidado de projeto da morte?

Esse projeto é uma cópia de todos os projetos mal sucedidos que o DNOCS já implantou no Nordeste.

São vários os exemplos que mostram que desastre para as comunidades representa esse projeto. Caso seja implantado, ele irá entregar as terras da chapada do Apodi e as águas da Barragem de Santa Cruz para cinco grandes empresas do agronegócio.

É uma estupidez. Irá expropriar famílias de pequenos agricultores e agricultoras para entregar às grandes empresas com o objetivo de produzir frutas para exportação como o cacau, banana, uva, mamão.

Tudo isso dentro de uma lógica que usa grande quantidade de veneno. Para isso, todas as comunidades da chapada têm que desaparecer. Não à toa as agricultoras e os agricultores o apelidaram de “projeto da morte”.

Quais os impactos do desvio das águas da Barragem de Santa Cruz do Apodi para a irrigação?

Há dados técnicos que asseguram que a barragem não tem capacidade hídrica para irrigar a quantidade de hectares prevista no projeto.

A barragem tem capacidade máxima de 600 milhões de metros cúbicos. O projeto prevê irrigar 5200 hectares na primeira fase. Por outro lado, na região do vale há uma grande produção de arroz vermelho que demanda de muita água.

Há também duas grandes adutoras sendo executadas a partir da barragem para abastecimento de dezenas de cidades, entre elas Mossoró, que tem aproximadamente 160 mil habitantes. Tudo isso poderá ser comprometido por este projeto.

Queremos que seja levada água sim para as comunidades da Chapada, mas para as famílias que lá se encontram para que possam aumentar a sua produção.

O que não é aceitável é a construção de um Perímetro Irrigado onde chega a água e as famílias tem que perder as suas casas e terras para ser entregues às grandes empresas do agronegócio.


Quem se beneficiará com esse projeto?

Claramente o projeto irá beneficiar cinco empresas do agronegócio para a produção de frutas destinadas a exportação. Mas sabemos que há outros interesses por trás desse projeto. Interesses das construtoras com a construção do canal, de políticos que se beneficiam com o financiamento dessas empresas.

Tudo isso em prejuízo de centenas de famílias de pequenos agricultores e agricultoras que há 50, 60 anos que vivem em suas comunidades.

Caso haja o despejo das 157 casas para o projeto de irrigação, as pessoas têm para onde ir? Existe alguma data prevista para a desapropriação?


Nessas pequenas propriedades que serão expulsas para a construção do Perímetro Irrigado moram mais de uma família. Em algumas moram 30 famílias, como é o caso da agrovila Palmares.

O DNOCS fala em 157 como uma forma de diminuir o impacto da expulsão. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Apodi, aproximadamente 800 famílias serão removidas caso o projeto seja executado.

O destino dessas famílias provavelmente será para a periferia da cidade de Apodi, gerando graves problemas sociais como vemos em outros municípios que tem perímetros irrigados a exemplo de Limoeiro do Norte (Ceará) e Ipanguassú (Rio Grande do Norte).

Em relação a desapropriação ela já vem sendo executada. Nesse momento estão sendo executadas as pequenas propriedades atingidas pela construção do canal. Depois serão todas para a implantação dos lotes irrigados.

Há quanto tempo essas famílias vivem em Apodi? A propriedade da terra já não se tornou dos moradores por usucapião?

Há famílias que moram nas comunidades há mais de 70 anos.

São pessoas idosas que já nasceram lá. Herdaram essas terras de seus pais, avós. Elas já têm a propriedade da terra.

Estão ameaçadas de perdê-las por força do decreto de desapropriação assinado pela Presidenta Dilma com o intuito de beneficiar as empresas do agronegócio.

Como foi a ação realizada dia 10 de dezembro?

Dia 10 de dezembro, nas 24 horas de ação feminista pelo mundo organizada pela Marcha Mundial das Mulheres, milhares de mulheres estiveram nas ruas de 33 países.

No Brasil, o dia foi marcado pela luta, resistência e solidariedade às mulheres da chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte.

O lema foi a defesa da autonomia das mulheres e da soberania alimentar como parte da nossa luta por outro modelo de (re)produção e consumo, para o bem estar de todas e todos e em harmonia com a natureza.

Em 15 cidades de 10 estados pintamos as ruas de lilás, ecoamos nossas vozes ao som da batucada para exigir que a terra em Apodi continue fortalecendo um projeto de mudança e rechaçamos o projeto de desapropriação dessas terras.

O ato de Apodi foi a principal atividade, no Brasil, das 24 horas de ação organizada pela MMM. Essa manifestação foi parte de um processo de luta de mais de um ano contra esse projeto.

Lá estavam cerca de 3 mil mulheres de vários municípios do Rio Grande do Norte. Logo em seguida, a marcha seguiu até o sindicato e depois para a chapada onde foi colocada uma placa que diz: “A Chapada do Apodi é território da agricultura familiar e camponesa. Aqui, já fazemos desenvolvimento” como contraponto ao discurso do DNOCS que anuncia a chegada do desenvolvimento na cidade.

No momento do hasteamento das bandeiras, que demarcou a reapropriação popular, esse território desapropriado pelo decreto federal, foi lido o estatuto das mulheres do Apodi.

O documento determina que o governo federal deve considerar a chapada do Apodi como território da agricultura familiar camponesa, estabelece que a luta em defesa desse território é uma bandeira de todos aqueles e aquelas que defendem uma sociedade de igualdade. E que a Chapada continuará com sua beleza, com sua gente e com sua alegria.

Quais os próximos passos que o movimento planeja?

Estamos trabalhando em várias frentes. A mobilização local das comunidades, debatendo com as famílias; dialogando com a sociedade, nas escolas, nas mobilizações de ruas; judicializando o processo, denunciando na Justiça a aberração que é esse projeto; forçando para abrir o diálogo com o governo no sentido de escutar as agricultoras e agricultores atingidos.

Outro passo é a busca por solidariedade dos movimentos sociais de todo o país, e isso estamos conseguindo.

Hoje a luta de resistência das famílias de agricultoras e agricultores da Chapada do Apodi está na pauta de todos os movimentos sociais do Brasil.

*Gabriela Moncau é jornalista.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O foguinho



Era apenas um foguinho, incendiou uma multidão!


Por Eduardo Galeano

Numa manhã do ano de 2010, Mohamed Bouazizi vinha arrastando, como todos os dias seu carrinho de frutas e verduras em algum lugar da Tunísia.
Como todos os dias, chegaram os guardas, para cobrar o pedágio por eles inventado.
Mas esta manhã, Mohamed não pagou.
Os guardas bateram nele, viraram o carrinho e pisaram as frutas e as verduras esparramadas pelo chão.
Então Mohamed se regou com gasolina, da cabeça aos pés, e acendeu o fogo.
E essa fogueira pequenina, não mais alta do que qualquer vendedor de rua, alcançou em poucos dias o tamanho de todo o mundo árabe, incendiado pelas pessoas fartas de serem ninguém.




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

“O PT patrão não aprendeu com sua própria história”

Foto banco de imagens do SEDUFSM

por César Augusto Brod*, no site do SEDUFSM

Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve

Informo que, seguindo orientação superior do MP [Ministério do Planejamento], os grevistas deverão ter os pontos cortados, desta forma não deverá constar nenhuma observação na folha de ponta dos servidores que estão de greve e não registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão de greve e mesmo assim registraram o ponto deverão ter seus pontos cortados (anulados) já que não trabalharam.

Quanto aos servidores que estão trabalhando normalmente e que não puderam trabalhar no dia 5 de julho por causa da greve dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.

Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do departamento de sistemas de informação da secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do planejamento, orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde setembro de 2011. Hoje comunico, publicamente, meu pedido de exoneração.

Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à Informação. Preciso deste salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a partir do momento em que tenho que ferir meus princípios para manter minha remuneração, meus princípios sempre ganharão o jogo, independente do que virá depois.

Trabalho, há bastante tempo, com o conhecimento livre e modelos de negócios baseados nisso. Em Porto Alegre, no final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de governo crescer levando em conta a crença em que a liberdade ampla para todas as formas de conhecimento era um fator gerador de inovação tecnológica e de criação de emprego e renda. Apoiei esse projeto mas nunca integrei nenhum quadro do governo até setembro de 2011, quando assumi o cargo acima mencionado, e passei a ser o responsável pelo Portal do Software Público Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de Dados Abertos, além de outras atividades.

Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze anos como empresário, aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um emprego público. Aliás, esse é um aprendizado constante. Mas segui trabalhando com minha paixão: liberdade de conhecimento como geração de inovação e riqueza.

No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do funcionalismo federal, à qual aderiram muitos dos que estavam sob minha coordenação. Enfrentar uma greve como executivo público foi algo totalmente inédito para mim. Acompanhei greves desde o tempo de meu avô, no surgimento do PT. Toda a articulação para as greves, para a criação de uma força que mudasse o estado, conscientizou uma população que colocou o PT no poder. Mas o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.

O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não depende mais da máquina que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela nação, tem a certeza de que vai muito bem sozinho. E está indo mesmo!

Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para mudá-lo e não para cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário. E, na greve, cultivaram ainda mais sua união na crença da construção de um Brasil melhor.

*César Augusto Brod, responsável pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Explicando porque a proposta do Governo é ruim

Em 2015, professor doutor em início de carreira
ganhará apenas 0,85% mais do que hoje
 
Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo

A proposta apresentada pelo MEC (Ministério da Educação) e pelo Ministério do Planejamento aos docentes federais em greve representará, descontada a inflação dos três anos, aumento de apenas 0,85% para o professor com doutorado em início de carreira em 2015.

Segundo a proposta do governo, em 2015 um professor com doutorado que começar a dar aulas em uma universidade ganhará R$ 8.439,77. Sem a proposta e computando o reajuste pela inflação de 4,5% ao ano, um docente iniciante ganharia R$ 8.368,94 em 2015.

Os cálculos, feitos pela economista Fabiana de Felício a pedido do UOL Educação, mostram que o reajuste proposto pelo governo quase não afeta a remuneração do doutor com dedicação exclusiva em início de carreira.
No caso de professores que já estão na carreira, há reajustes reais que, no caso de professores titulares - topo de carreira - podem chegar a 27%.

EXPLICANDO A PROPOSTA

Salário em fevereiro/2012 (1) 
Salário corrigido pela inflação em 2015 (2) 
Proposta do governo para 2015 (3) 
Diferença entre valores (4)
Iniciante com doutorado 7.333,67 (1) 8.368,94 (2) 8.439,77 (3) + 0,85% (4)
Assistente mestre II       4.759,71  (1) 5.431,62 (2) 6.171,22 (3) + 13,62% (4)
Assistente mestre I        4.651,59   (1) 5.308,24 (2) 6.171,22 (3) + 16,26% (4)
Adjunto doutor IV        7.913,30   (1) 9.030,39 (2) 10.952,19(3)  + 21,28% (4)
Titular doutor             11.755,05  (1) 13.414,46  (20 17.057,74 (3) + 27,16% (4)

1. Os cálculos consideram inflação de 4,5% por ano no período
2. Para efeito de cálculo, foram considerados só professores em dedicação exclusiva
Fonte: Fabiana de Felício, Ministério do Planejamento e Ministério da Educação

O Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) critica a proposta do governo e divulgou, na última segunda-feira (16) nota afirmando que o governo faz “um jogo de números maquiados” e que a proposta de reajuste só apresenta ganho real, acima da inflação, para uma classe de professor que representa menos de 10% de toda a categoria.

Para o secretário de Educação Superior do MEC, Amaro Lins, é preciso olhar para a carreira como um todo –na expectativa salarial do professor ao longo da carreira. “O que nós queremos é tornar a carreira atraente para os novos professores, e principalmente que eles percebam que têm espaço de desenvolvimento da carreira na universidade”, disse.

Já a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento disse que o ingresso na carreira docente é “opcional” e que um salário de um professor iniciante é atrativo principalmente no interior do país.
Plano de carreira

Essa diferença vem acompanhada de uma mudança proposta no plano de carreira dos docentes. 

Atualmente, existem 17 níveis, contando com o de titular. Um doutor só pode entrar hoje como adjunto 1.

A proposta do governo atende em parte a uma reivindicação do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), que pedia a reestruturação da carreira. Pelo texto apresentado, o número de “níveis” cai para 13, incluindo o de titular. No entanto, o professor doutor entra na universidade em uma categoria mais baixa, a de auxiliar 1.

“Como doutor, você já começava como adjunto 1. Agora, vai entrar como auxiliar 1 e terá mais passos, são 13 passos”, disse o professor Ricardo Summa, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Greve nas universidades completa 60 dias e servidores convocam marcha

Professores e servidores federais estão acampados em Brasília e farão marcha.
Professores e servidores públicos federais estão acampados na Esplanada e farão marcha nesta quarta em Brasília. O Comando Nacional de Greve da categoria reprovou a contraproposta do governo. Das 59 universidades federais, apenas a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) não está em greve. Institutos tecnológicos e escolas de aplicação também aderiram ao movimento.

Vinicius Mansur

Brasília - Professores das universidades federais realizaram um ato político nesta terça-feira (17) para marcar o 60º dia de greve da categoria. O ato foi realizado no acampamento montado desde segunda-feira (16) pelo Fórum de Servidores Públicos Federais (SPFs) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Das 59 universidades federais, apenas a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) não está em greve. Institutos tecnológicos e escolas de aplicação também aderiram ao movimento.

Em conjunto com as outras 30 entidades que compõe o SPFs, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) realizará nesta quarta-feira (18) uma marcha até o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). A marcha pedirá, entre outras coisas, uma política salarial permanente, com valorização do vencimento base, reposição inflacionária e incorporação de gratificações, além da retirada de projetos de lei ou medidas provisórias que restringem ou suprimem direitos sociais.

A pauta específica dos professores se concentra na reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho e valorização salarial. O Comando Nacional de Greve (CNG) da categoria rejeitou a contraproposta feita pelo governo na última sexta-feira (13). “Reafirmamos a proposta que já protocolamos junto ao governo como referencial .para a negociação da reestruturação da carreira e não desestruturar como governo está querendo”, disse o diretor do Andes-SN, Josevaldo Cunha.

O CGN formulou um amplo documento de críticas à contraproposta do governo. Entre elas, eles afirmam que o reajuste salarial de até 45%, aplicado em cima dos salários de 2010 e a ser alcançado em 2015, só chegará para os professores que estão no topo da carreira e que representam entre 10% e 12% da categoria. Os grevistas ainda afirmam que os cálculos do governo omitem a corrosão inflacionária do período, estimada em 35%. “Vários outros segmentos da categoria docente, como adjuntos, assistentes, terão nesse período perda salarial”, disse Cunha.

Também são criticadas as barreiras à progressão dos professores na carreira (limitando, por exemplo, a ascensão ao topo dela – a classe de professor titular - a 20% do quadro docente da instituição) e o fato da carreira ser a única no serviço público federal na qual a remuneração do regime de 40 horas não será o dobro da remuneração do regime de 20 horas.

De acordo com o MPOG, a oferta permitirá aos professores doutores recém ingressos na carreira, em regime de dedicação exclusiva, receber um salário mensal de R$ 8,4 mil. Já os professores que já estão na universidade, no mesmo nível, terão o salário reajustado de R$ 7,3 mil para R$ 10 mil. Ao longo dos próximos três anos, a remuneração do professor titular com dedicação exclusiva passará de R$ 11,8 mil para R$ 17,1 mil.

Pela tabela apresentada, o governo elimina os níveis mais baixos da carreira. Assim, o menor salário pago em 2010, de R$ 1,6 mil (professor auxiliar, nível 1, sem titulação, em regime de 20 horas), passará para R$ 1, 8 mil (professor assistente, nível 1, sem titulação, 20 horas). A maioria, os adjuntos, que recebiam de R$ 1,8 mil a R$ 7,9 mil, passarão a ganhar entre R$ 2,2 mil e R$ 10,9 mil. Os aposentados ficariam alijados da perspectiva de receber salários mais altos, já que a imensa maioria se aposentou sem atingir a classe de titular.

Os professores em conjunto com os outros servidores públicos federais permanecerão acampados em Brasília até sexta-feira (20).


Comentário do Senhor C.:

- Além da UFRN, há uma campus solitário que não está em greve. Trata-se do campus São Carlos da UFSCar. Difícil explicar o fato, embora o sindicato tenha noticiado a Reitoria de que estariam em greve, e que o recomeço do próximo semestre letivo tenha sido adiado. 
Mas um passeio pelo campus denuncia outra realidade: greve mesmo só a dos Técnico-administrativos, outra fração dos servidores federais da Educação.
Não sabemos se, de fato, é a vontade de inação da maioria dos docentes que ali trabalham, ou se resulta das manobras protelatórias com que o sindicato local agiu nas assembléias. 
Talvez uma coisa e outra não sejam tão distantes. Mas é incerto saber ou ter certeza. 
Enquanto isso, de sua solidão, em meio aos arbustos do cerrado, assiste-se o torvelinho em que se transformou a agenda atual da educação superior no país. 
Haja postura mais olímpica do que esta, mesmo que sejam tempos de olimpíadas.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

UFC: A Globo e Galvão Bueno viram piada no twitter




Ontem de madrugada ao abrir o twitter vi quase toda a minha Time Line comemorando a vitória de Anderson Silva, mas a TV Globo ainda anunciava a transmissão da luta para daqui a pouco.

Só depois de quase 1 hora Galvão Bueno iniciou a transmissão do replay sem que fosse registrado que a luta já havia se encerrado. Ao contrário, o narrador teve o desplante de mandar um “voltamos ao vivo”, como se tudo acontecesse em tempo real.

Acompanhar a trollagem pelo twitter passou a ser muito mais interessante do que assistir a luta. Internautas utilizaram o #GloboFail e o #aovivonaglobo para ironizar a picaretagem. Fatos históricos passaram a ser citados como se estivessem sendo transmitidos ao vivo na TV. Entre eles, a chegada do homem à lua e a queda do muro de Berlim.

A piada mais recorrente, porém, era de que o brasileiro Anderson Silva já estava em casa assistindo “ao vivo” a transmissão de sua vitória com a narração de Galvão Bueno.

O episódio seria apenas cômico se não fosse ilustrativo do nível em que chegou a TV brasileira. A Globo usa recorrentemente de mentiras para ludibriar seus telespectadores e o faz achando que ainda estamos nos anos 80, 90, quando a internet era coisa de cientistas.

Mas o mundo mudou bastante no que diz respeito ao acesso à informação.

Ao abrir o twitter hoje pela manhã vi que no TT Brasil o termo que liderava era o #ChupaSonnen, nome do americano falastrão derrotado por Anderson Silva. E o segundo era #GloboFail . Isso no momento em que acontecia a transmissão ao vivo da prova de F1, em Silverstone.

Ou seja, ao fim e ao cabo um evento bobo como o UFC acaba sendo importante para ajudar a desmascarar a forma como essa emissora lida com seus telespectadores.

Mas há algo que precisa ser dito. Se a Globo é picareta, Galvão Bueno consegue ser ainda pior. Soltar um “voltamos ao vivo” em transmissão de replay é ir além. Se ficasse quieto o narrador ainda poderia alegar que fez seu trabalho e que a emissora era a responsável pela tentativa de ilusionismo comunicativo. Mas que nada, ele quis ser sócio da farsa.


Sintonia Fina
- com Renato Rovai


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Manifestações anti-machistas em todo o país



Marchas das Vadias viram fenômeno nacional e revelam que resposta ao sexismo pode ser ato de luta e festa libertária

No Biscate Social Club

[+] Datas e locais das Marchas por todo o Brasil:

Belém, 27 de maio
Estação das Docas, 9h Evento no Facebook Fan-page no Facebook

Belo Horizonte, 26 de maio
Concentração na Praça Rio Branco (praça da Rodoviária), a partir das 13h. Fan-page no Facebook Evento Twitter:@slutwalkbh Blog

Brasília, 26 de maio
Concentração no CONIC, 13h (próximo à Rodoviária do Plano Piloto) Comunidade no Facebook Siga pelo Twitter

Campinas (SP) 1º de março
Fotos no Facebook

Campo Grande, 26 de maio
Local e hora: a confirmar Veja fotos da primeira Marcha de 2012 Mais fotos aqui

Criciuma (SC), 26 de maio
Praça Nereu Ramos (em frente a Casa de Cultura), 10h Evento no Facebook

Curitiba, 26 de maio
Reitoria da UFPR, das 18h às 22h Evento no Facebook – Veja fotos da Marcha das Vadias Curitiba 2011

Florianópolis, 26 de maio
Concentração na Catedral (centro da cidade), a partir das 10h. Evento no Facebook

Guarulhos (SP)
Data a confirmar (junho) Grupo no Facebook

Londrina (PR), 2 de junho
Calçadão de Londrina- em frente a Pernambucanas, às 14h – Evento no Facebook

Macapá, 2 de junho
Praça Floriano Peixoto, 15h Evento no Facebook

Natal, 26 de maio
Feira do Alecrim, 10h Twitter da Slutwalk Natal Página no Facebook

Salvador, 26 de maio
Praça da Piedade, às 13h30 Evento no Facebook

São Carlos (SP) 26 de maio
Praça Santa Cruz, 9h Comunidade no Facebook

São José dos Campos (SP), 26 de maio
Praça Afonso Pena, 10h Fan-page no Facebook Blog

São Paulo, 26 de maio
Praça do Cicllista, 13h Grupo no Facebook

Pelotas (RS), 8 de março
Fotos aqui

Porto Alegre (RS), 26 de maio
Arcos da Redenção, 14h Evento no Facebook Grupo no Facebook

Recife, 26 de maio
Praça do Derby, 14h Evento no Facebook

Rio de Janeiro, 26 de maio
Concentração no Posto 4 da Av. Atlântica, a partir de 13h Evento no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias em 2011

Vitória, 26 de maio
UFES, 14h Evento no Facebook

Santa Maria (RS), 2 de junho
Concha Acústica do Parque Itaimbé, às 14h – Página no Facebook – Grupo no Facebook


João Pessoa (PB) - 09 de junho.
Local a ser divulgado.



Comentário do Senhor C.:

- Só para não esquecer: a marcha das Vadias tem este home numa 'homenagem' ao policial canadense que, diante dos seguidos estrupos de mulheres no campus de uma universidade, teria comentado que se elas parassem de se vestir como 'vadias' os estupros diminuiriam. Trata-se, portanto, de um movimento pela afirmação dos direitos iguais das mulheres, de sua autonomia e soberania para decidir o que fazer de seus corpos e de suas vidas. TODO APOIO À ESTAS VADIAS, PORTANTO!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quando a ingenuidade vira uma arma perigosa, ou Genealogia do "CANSEI"



Em 2007, aproveitando o acidente com o vôo 3054 da TAM, empresários paulistas lançaram o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros” que ficou conhecido popularmente como “Cansei”, integrado por atrizes, atores e apresentadores de TV famosos que protestavam por uma variedade de temas – caos aéreo, corrupção educação, segurança.
Na visão do cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, que deixou o cargo em meados de 2010, o movimento não era apartidário.
Assim começa um comunicado enviado a Washington no dia 18 de setembro de 2007: “Na tentativa de aplacar o descontentamento popular com o governo Lula, um grupo de empresários de São Paulo lançou o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, conhecido informalmente como ‘Cansei’ (I’m tired)”.
O documento segue dizendo que “apesar de os líderes insistirem no apartidaridarismo e dizerem que o movimento não ataca ninguém especificamente, tem causado forte reação de movimentos sociais e entidades ligadas ao governo Lula, que caracterizam o Cansei como um grupo de membros ricos da elite branca sem nada melhor para fazer do que reclamar”.
White diz ainda que o movimento não sabia direito para que direção avançar. “Conforme descrito em seu site e cartazes publicitários, os membros do Cansei estão fartos do caos aéreo, do poder dos traficantes, das crianças nas ruas, balas perdidas e tanta corrupção”.


Conversas com D’Urso
A Washington, White comenta sobre um encontro entre oficiais da embaixada americana, Luiz Flávio Borges D’Urso e representantes da OAB de São Paulo no dia 29 de agosto de 2007. “A OAB organiza frequentemente programas em conjunto com as mesmas associações empresariais que fazem parte do ‘Cansei’. De acordo com D’Urso, faz parte dos interesses da organização elogiar o governo mas também criticá-lo quando for o caso”.
O presidente da OAB São Paulo também aproveitou o encontro para criticar a resolução da arquidiocese de São Paulo, que proibiu o Cansei de fazer uma manifestação na Catedral da Sé em julho daquele ano e obrigou o movimento a fazer seu “um minuto de silêncio de indignação” ao ar livre. “Para D’urso, o arcebispo se curvou diante da pressão e não quis criar controvérsias”.
FHC: “não é um lema para Martin Luther King”
Outra parte do documento diz que os líderes do “Cansei” não ajudaram ao tentar contar seu lado da história. “Entrevistado pela revista Veja, João Dória Jr. queixou-se que a opinião pública discrimina os bem sucedidos e ricos (…) e que sua imagem de alguém que nunca fumou, bebeu ou usou drogas, não briga, não fala palavrões e usa gel no cabelo tornou difícil aos brasileiros comuns se identificarem com sua causa”.
White diz também que o presidente da Philips no Brasil, Paulo Zotollo, atraiu atenção negativa quando disse a um jornal que, ao apoiar o movimento Cansei, desejava remexer no “marasmo cívico” do Brasil, e afirmou: “Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”. “Zottolo insistiu que sua observação tinha sido tirado do contexto, mas, novamente, o estrago já estava feito” diz o americano.
Thomas White conclui o telegrama dizendo que o slogan “Cansei”, embora possa resumir com precisão os sentimentos de algumas pessoas, não é muito eficaz como um grito de guerra.
“Como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou recentemente ao cônsul-geral, não é um lema que Martin Luther King, Jr., teria escolhido para inspirar seus seguidores”, revela White.
Para ele, “os líderes do movimento, por toda sinceridade e seriedade tornaram-se alvos fáceis para a caricatura”.
Em 2011, não há mais vestígios do Cansei. A página do movimento foi tirada do ar.
Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Caracazo, a obra-prima tucana de SP



As imagens da revolta popular diante do caos do transporte público em São Paulo – clique aqui para ler “Caos em São Paulo, como Haddad vai derrotar Cerra” – fazem lembrar um dos fatos políticos que marcaram a História da América Latina – o “Caracazo”.

Não adianta o PiG (*) ressaltar o “vandalismo”.

O governador Alckmin, hoje no comando de 18 anos de tucanismo, reduz a reação popular a intenções eleitorais.
É irrelevante.

O protesto violento – e amenizado pelo PiG (*) e, especialmente, pela Globo – é sintoma de um mal mais profundo.
A falência do sistema tucano de governar e o cansaço que ele produz.

O “Caracazo” mudou a política da Venezuela.
O “Caracazo” da Chuíça (**) já mudou a política de São Paulo.

Mudou uma política de transporte público que pune o pobre e, agora, engarrafa os ricos.
Acabou.

Não adianta o Cerra se esconder atrás do PiG (*), hoje desfalcado da Veja, que se encaminha inexoravelmente para o jazigo onde se enterrou a revista semanal Visão.

A galera espera pelo Cerra na saída do metrô Itaquera.
Para uma conversinha.


Paulo Henrique Amorim



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Torturadores começam a ter problemas: a sociedade cobra seu preço!

Após denúncia, Anhanguera vai analisar contrato com empresa de acusado de tortura
'Ele não torturou apenas a mim e a meu pai, mas uma infinidade de pessoas', diz filho de operário morto na ditadura


Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo, e Lorena Amazonas, especial para o Estadão.edu

A Anhanguera Educacional, rede de ensino superior que tem 73 câmpus, informou que vai analisar o contrato que firmou com a empresa de segurança Dacala. Ela pertence a um acusado de tortura durante a ditadura, o delegado aposentado David dos Santos Araujo, conhecido como capitão Lisboa. "Afirmo para quem quiser ouvir que ele matou meu pai sob torturas. De fato foi ele quem deu a paulada que o matou", afirma Ivan Seixas, filho do operário Joaquim Alencar Seixas, dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT).

Ivan, que era adolescente na época da prisão do pai, em 1971, diz que também alvo das torturas do capitão Lisboa, lotado na época do DOI-Codi. "Ele não torturou apenas a mim e a meu pai, mas uma infinidade enorme de pessoas presas naquela época", completa. Araujo também é acusado de abusar sexualmente da irmã de Ivan Seixas.

Araujo está no ramo de segurança patrimonial desde o final da década de 1980, quando comandava a Osvil Segurança. A Dacala foi constituída somente em 2006. A Dacala presta serviço para várias grandes empresas do País - algumas informaram desconhecer o histórico de Araujo, caso da Anhanguera.

"A Anhanguera Educacional selecionou seu fornecedor de serviços de segurança seguindo uma avaliação estritamente técnica e comercial e sem qualquer conhecimento prévio das acusações que agora se tornaram públicas", informou a universidade, em nota. "A Anhanguera está analisando cuidadosamente a questão, além de acompanhar os pareceres dos órgãos e instâncias que a sociedade possui para investigar e julgar tais denúncias, e não hesitará em tomar quaisquer medidas que se mostrem necessárias."

No fim de março, o movimento Levante Popular da Juventude realizou uma mobilização, denominada “esculacho”, em frente da sede da empresa do delegado aposentado. O movimento realiza ações simultâneas de denúncia de diversos torturadores em várias capitais do País. A ofensiva acontece no momento em que a Comissão da Verdade, criada pelo governo federal para investigar crimes da ditadura, prepara o início dos trabalhos.

Em nota, o Levante Popular da Juventude informou que os atos são uma “denúncia sobre o passado”, pelo resgate da memória. O grupo afirma que não descarta a possibilidade de realizar um “escracho” em frente dos câmpus da Anhanguera. “Se irão continuar financiando é algo a se denunciar também”, diz a nota.

Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra David dos Santos Araujo, e outros dois delegados: o também aposentado Aparecido Laertes Calandra e Dirceu Gravina, ainda na ativa. Na ação, pede-se "o reconhecimento judicial da responsabilidade civil dos réus pessoas físicas como autores e partícipes nos atos de tortura e homicídio de diversas pessoas que foram reputadas opositoras do regime militar". A ação exige que os acusados percam sua aposentadorias, como no caso dos dois primeiros citados, e Gravina, o cargo.

Em fevereiro de 2011, a ação foi julgada improcedente e os pedidos formulados rejeitados - em virtude da Lei de Anistia. Em agosto do mesmo ano, o MPF entrou com recurso de apelação à sentença - que aguarda julgamento.

“Existe tolerância no Judiciário muito grande, mas é um muro de pedra. A Justiça brasileira está muito atrás da de outros países”, afirma a procuradora da República Eugênia Gonzaga, uma das responsáveis pela ação civil pública.

A ação do MPF leva em conta documentos sobre o período, como o Dossiê Ditadura, além de depoimentos, como o do próprio Ivan Seixas. Presos em 16 de abril de 1971, Joaquim Seixas e seu filho Ivan foram levados ao DOI-Codi para interrogatório. Mas a versão oficial é de que o militante tenha morrido nessa mesma data, numa troca de tiros com a polícia após resistir à ordem de prisão.

"Quando eu o reconheci, ele (David dos Santos Araujo) disse que não me conhecia, mas afirmou que havia interrogado meu pai no dia 17. Ao ser questionado como isso era possível, visto que meu pai oficialmente morrera ao resistir a prisão, ele respondeu: 'Isso eu não sei'", afirma Ivan.

A Dacala é investigada pela Polícia Federal desde 2007 e já teve recomendado o cancelamento do seu registro por ter utilizado armas frias. A PF encontrou na empresa 111 armas supostamente roubadas.

Os armamentos teriam sumido da Osvil e de uma segunda empresa, chamada Vigor, mas apareceram na Dacala. Araujo foi apontado na investigação como responsável pelo "sumiço dessas armas de fogo, bem como o seu emprego ilícito".

A Dacala foi procurada, mas não quis se manifestar.


Comentário do Senhor C.:


- Já que nossas instituições políticas parecem mais interessadas apenas na memória, e menos na verdade e na Justiça (que alguns integrantes resolveram denominar de punição! Oh, céus, o que pensou a Deusa ao ver seu nome sendo confundido com castigo? Justiça é coisa mais sublime que punição!) a sociedade trata de se organizar e encontra outros modos de exigir o preço por aqueles que, em nome do Estado, cometeram crimes inafiançáveis e imprescritíveis como o estrupo e o assassinato.