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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um som para além dos limites de cor, raça e cultura





No pequeno país de Botswana, Cyril Ndolo já criou acordes que vão do Rastah ao Jazz, do Kalanga à Bora Ngana. Mas sua vontade de música não acaba

Por Flora Pereira e Natan de Aquino, do Projeto Afreaka

Sentado no sofá da recepção de um dos maiores jornais de Botswana está um homem de aproximadamente 40 anos, um pouco menos na identidade, um pouco mais na aparência. O seu look é o oposto ao de um rock star. Sapato de couro batido, calças amassadas e mãos e blusa manchadas com pingos de tinta branca, aparentemente fresca. Ao seu redor, um mundo está acontecendo e ele não parece estar presente, absorvido pelo som do violão que traz nos braços. Entram e saem jornalistas pela porta ao seu lado esquerdo, o telefone toca a cada cinco minutos, a recepcionista atende um casal de estrangeiros, o gerente da loja ao lado negocia preços de camisetas e o homem, que atende pelo nome Cyril Ndolo, continua a dedilhar as cordas com a concentração de quem está só no deserto.

Quase como todo mundo no país, Cyril cresceu em uma pequena vila e por causa dos estudos se mudou para a ‘cidade grande’, que no caso da pouco populosa Botswana significa algo em torno de 100 mil habitantes. Foi só então que, aos vinte e poucos anos, foi pego pela doença da música, arrumou um violão e decidiu aprender os pormenores da arte. Ele esclarece que começou sozinho sim, mas não aprendeu sozinho não, sabe? “Ninguém aprende sozinho. Você assiste aos outros tocando e vai imitando. Você aprende com os outros”, explica mostrando os primeiros sinais de modéstia enquanto ainda espera sentado ao sofá vermelho.

Chamado para a entrevista, ele termina a música que estava praticando ao mesmo tempo em que caminha para a sala de reuniões. E, assim que se ajeita na cadeira, volta a estudar o instrumento. Quando começa a contar sua história, a explicar o que toca e a descrever seu estilo, o quase anti-rock star parece tomar a forma de um Chico em um dia de descanso. Entre pausas musicais, o artista conta que começou a tocar violão ao estilo tradicional de Botswana com quatro cordas, mas depois mudou. Queria aprender o que não tinha por ali. Queria construir a ponte entre a música tradicional e o rock, mostrando que o estilo não é exclusivamente ocidental. Tocar violão não quer dizer não estar fazendo música africana, you see? Cyril é daqueles que fala com o instrumento e, com toda a calma e didática do mundo, segue explicando suas passagens: “Eu comecei assim, tuntunrun daí eu vou assim panrandan e passo para cádunrundun e mudo esse acorde para algo mais assim: tantan, entende?”.

Durante sua carreira, o artista perambulou por bandas, formou grupos, tocou com os melhores artistas do país, desenvolveu ritmos próprios e gravou alguns CDs, sempre no compasso underground. Passou do ritmo Rastah para o Jazz e do estilo Kalanga para a Bora Ngana. Sua vontade de música não acaba. Ele quer aprender, quer novas opiniões de todos para quem apresenta suas composições, quer toques, dicas, observações, detalhes. Ele tem fome de notas, de som, de ciência musical. E a modéstia chega a ser quase espirituosa quando alguém do calibre artístico de Cyril pergunta a quem vem e a quem vai se está fazendo do jeito certo.

Ainda com o violão no colo, ele conta que se inspira em músicos como Michael Jackson, Bob Marley, Jorge Benson e Jimmy Hendrix. Para ele, são pessoas que conseguiram produzir um som “além dos limites de cor, raça e cultura”. Em um tom que beira levemente o comovido, ele elucida: “Chineses escutam Bob Marley e gostam. Michael Jackson, não importa se você é branco ou negro, você vai gostar. São músicas que inspiram independente do seu background. A música tem que revolucionar. A música está no mundo para as pessoas e não para certos tipos de pessoa.”

O projeto de Cyril agora é viajar à Itália para mostrar sua melodia. Recentemente fez uma parceria com músicos italianos e em conjunto formaram o EqoAfrica, grupo dedicado a difundir a música africana pelo país mediterrâneo. O primeiro festival seria em outubro, mas, mesmo com o convite oficial dos artistas locais, o consulado italiano lhe negou o visto. O fato causou alvoroço nos jornais tswanas, que acusaram a instituição de racismo, mas o músico segue com sua inextricável calma e acredita que a burocracia não será novamente um problema para a sua ida ao próximo festival, em março.

Sua maior preocupação continua sendo o aprendizado – afinal, para o artista o melhor da música não está apenas no tocar, mas na criação em si. Cyril fala sobre estilos, como desenvolvê-los, defini-los e entendê-los: “Levei anos para aprender o que eu sei agora – distinguir escalas, dominar a teoria e colocar tudo isso junto do jeito certo, tentando desenvolver um som em que seja possível identificar a África melhor, tentando delinear a música africana como um todo e tracejar o conceito que as pessoas no estrangeiro têm de nós em África”, ilustra o músico cujas mãos de pingos brancos não pararam por um segundo de estudar as cordas e que, mesmo depois de duas horas de entrevista, ainda parece ter o deserto todo para si.

Para entrar em contato com Cyril Ndolo: eqoafricacyril@gmail.com
Cyril Ndolo from site AFREAKA on Vimeo.


terça-feira, 10 de julho de 2012

domingo, 29 de abril de 2012

Pausa musical: Jack White




Comentário do Senhor C.:

- Em primeira mão, o cara que tirou Adele do primeiro lugar das paradas britânicas. Adele era a primeira há um ano.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Momento musical: Violeta Parra



Comentário do Senhor C.:

- Hoje se completam 45 anos da morte desta 'cantante', nascida em Chile, e cujas composições marcaram a vida e a luta de muitos companheiros. Aqui entre nós, esta canção foi gravada por, entre outros, Elis Regina e Mílton Nascimento, este último num dueto inesquecível com outra grande voz, Mercedes Sosa.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Momento musical



Comentário do Senhor C.:

 - A primeira vez que fui apresentado a esta performance, já lá se vão bons anos, não imaginava que esta melodia, brilhantemente executada, quase que num improviso, pelo músico Keith Jarret, nunca mais sairia de minha vida. Por isso, ei-la aqui, para que outros - e os que não a conhecem - se deixem encantar por ela para sempre.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pausa musical: Chavela Vargas



Comentário do Senhor C.:

-  Com vocês, esta cantante, nascida em Costa Rica e naturalizada mexicana. Uma voz diferente, um traço gutural de quem canta com vigor, emoção, e põe a alma na voz. É para ser ouvida ao por do sol, tomando um trago de uma gostosa tequila.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Domingueira musical: Os abuelos de la nada



Comentário do Senhor C.

- Os hermanos nos surpreendem já faz tempo, e não é só no futebol que competem conosco. Não bastasse a atual produção de seu cinema, na música, os caras têm um time digno de nota.
Los abuelos de la nada foi formada em 1967. Enquanto isso, o sucesso no Brasil era o "roqueiro" Roberto Carlos. O vídeo acima foi gravado en vivo no Luna Park, de Buenos Aires, em 1983.


Reparem no estilo rítmico dos caras, quase um reggae jamaicano, que estava surgindo precisamente na década de 60.

Domingueira musical: Joe Cocker



Comentário do Senhor C.:

- A voz rouquenha e rascante é a marca registrada deste 'cantante'. Bem que outros tentaram...mas mesmo um Tom Waits precisa reconhecer que cantar grunhindo deve certa inspiração ao Joe.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pausa musical: Parahyba Art Ensemble



Comentário do Senhor C.:

- O guitarrista Chico Corrêa,  mantendo a experimentação como palavra-chave, reúne-se a instrumentistas de diferentes bagagens e nacionalidades, que se encontraram na Paraíba, para fazer um som que contém influências do jazz, free jazz, música eletroacústica e, naturalmente, da nordestina, entre outras, criando ambiência para realimentar os rumos sonoros do coletivo formado pelo baterista americano Gregg Mervine, o multiinstrumentista belga Henry Krutzen, o francês Didier Guigue nos sintetizadores e flauta baixo, O DJ Guirraiz, o trompetista alemão Burgo, o baixista Mateus Alves, o VJ Spencer.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pausa musical: Crosby Stills and Nash



Comentário do Senhor C.:

 - Fazia tempo que não dava uma pausa para a música. Aí, nada melhor que encontrar estes 'vovôs' do rock. Delícia!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Pausa musical: Ben Harper



Comentário do Senhor C.:

 - Esse cara tem o blues no sangue...e uma pitada lírica que faz sua música uma delícia! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pausa musical: Mercedes Sosa



Comentário do Senhor C.:

 - Como disse no primeiro post deste mês que Mercedes Sosa cantaria me gustan los estudiantes, resolvi apresentar esta canção na voz desta mulher excepcional. Espero que lo desfrutem!

sábado, 12 de novembro de 2011

Depeche Mode vs Bronski Beat - Free Smalltown Boy Mix

Pausa musical.








Comentário do Senhor C.:


- Vamos reconhecer que há boa música em todo lugar. Nenhum detém a supremacia sobre outro, ainda que domine e concentre mais recursos e técnica. O som que veio do pop novaiorquino se renova com pitadas de criatividade. Vale a pena ser ouvido por isso. Por ser música, por ser língua universal!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pausa musical: Chabuca Grande


Comentário do Senhor C.:

- Do encontro dos ventos andinos com a cultura inca, eis-nos Chabuca. La flor de la canela!

domingo, 30 de outubro de 2011

Vozes do mundo: Louisy Joseph



Comentário do Senhor C.:

 - Apresentamos Louisy, que também é Joseph. Típica voz feminina que encanta nossos ouvidos e nos convida a sonhar...cantando insones!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pausa musical: PInk Martini



Comentário do Senhor C.:

 - Uma banda formada nas terras do Tio Sam. Uma mistura caleidoscópica de blues, salsa e pop. Boa música

terça-feira, 4 de outubro de 2011