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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Fragmentos dos diários perdidos do Senhor C.

Outro dia, recebi de um jovem poeta, a seguinte mensagem:



A LEI DO SILÊNCIO




Nada é possível se permanecemos calados?

Como ficar entregues a pensamentos inomináveis?

É difícil se imaginar assim quietos no meio do som?!

Quem diria?

No meio do som estamos sempre indo embora

Preenchidos e invadidos pela melodia que ocupa tudo

tímpanos, cérebro, nossa alma, nós, em desatino andante

Os automóveis nas ruas atropelam notícias

E nem se importam com o que possa ter sobrado

Mas se pudessem sentir e contar, diriam:

(sabem todos os que preferem o entorpecimento dos sentidos

que as máquinas parecem proporcionar)

- Viva o ronco, viva o ruído,

viva o ensurdecedor barulho de todas as vozes

Que nada dizem e se atravancam ao tentar

o mergulho coletivo no vale profundo

Que sempre começa quando se escolhe calar!


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Música para aquecer dias frios! Lula Côrtes e Zé Ramalho



Já que falamos de pernambucanos arretados, apresento Lula Cortes, que nos anos 70 produziu com Zé Ramalho - um paraibano também arretado - um álbum chamado Paêbirú, do qual esta faixa é integrante. A música se chama Nas paredes da pedra encantada e é um dos melhores espécimes que a psicodelia brasileira produziu na época. Pura viagem de som, criatividade e sensibilidade! Pura poesia!

Apreciem mais este biscoito fino que não toca, nem tocará jamais, nas rádios do Brasil, impesteadas pelo lixo que os interesses mercadológicos da indústria fonográfica nos obrigam a consumir. E haja drogas! Sou pela descriminalização das drogas, mas, com exceção feita às drogas midiáticas que causam males irreparáveis ao cérebro e a cultura popular!

A respeito do álbum, é hoje uma raridade histórica que atingiu recentemente o maior valor do mercado, superando obras esgotadas de ícones como Roberto Carlos. Belo exemplo da perenidade de uma criação, que não recebe a mesma exposição midiática que tem o chamado Rei.
Gravado na extinta gravadora Rosemblitz, do Recife, que sofreu uma inundação durante a prensagem do disco, de que só se salvaram 300 unidades, rapidamente esgotadas. Logo em seguida, os dois artistas romperam a parceria, o que impediu novas reedições. O disco circulou em cópias alternativas, até recentemente, quando um colecionador europeu editou uma versão não autorizada em CD e ganhou postagem no Youtube. O disco é mais procurado no exterior do que no Brasil, talvez pela anestesia coletiva que a mídia produz e induz com seu bombardeio de produções duvidosas e de qualidade apenas mercantilista  ou oportunista.

Música para aquecer dias frios: Alceu Valença



Comentário do Senhor C.:

- Alceu Valença é uma pernambucano arretado! E já está na estrada há mais de trinta anos sem perder o fôlego nem o vigor. Deve ser catuaba na veia que ele toma, no caso, a veia musical!

Pra não esquecer o que é a direita



Comentário do Senhor C.:

-  Dizem alguns (que julgo muito apressados) que este negócio de direita e esquerda se acabou, é findo. Pois bem, posto o vídeo acima como uma demonstração de que esquerda e direita continuam a existir e não podem ser confundidas. Se não as distingo do ponto de vista moral - por reconhecer que no terreno político há uma inversão moral que parece querer justificar que os fins justificam os meios - e que ambos os lados podem operar deste modo. A distingui-los apenas a escolha dos meios. Vejam o vídeo, que foi postado pelos agentes de campanha do candidato da direita brasileira e que foi tirado do ar devido aos protestos que suscitou, para ver uma demonstração cabal de como à direita os meios podem ser quaisquer uns, inclusive ou especialmente os mais escusos, mais desonestos. A direita explora um dos sentimentos mais primitivos do ser humano: o medo!