Pesquisar este blog

segunda-feira, 9 de julho de 2012

UFC: A Globo e Galvão Bueno viram piada no twitter




Ontem de madrugada ao abrir o twitter vi quase toda a minha Time Line comemorando a vitória de Anderson Silva, mas a TV Globo ainda anunciava a transmissão da luta para daqui a pouco.

Só depois de quase 1 hora Galvão Bueno iniciou a transmissão do replay sem que fosse registrado que a luta já havia se encerrado. Ao contrário, o narrador teve o desplante de mandar um “voltamos ao vivo”, como se tudo acontecesse em tempo real.

Acompanhar a trollagem pelo twitter passou a ser muito mais interessante do que assistir a luta. Internautas utilizaram o #GloboFail e o #aovivonaglobo para ironizar a picaretagem. Fatos históricos passaram a ser citados como se estivessem sendo transmitidos ao vivo na TV. Entre eles, a chegada do homem à lua e a queda do muro de Berlim.

A piada mais recorrente, porém, era de que o brasileiro Anderson Silva já estava em casa assistindo “ao vivo” a transmissão de sua vitória com a narração de Galvão Bueno.

O episódio seria apenas cômico se não fosse ilustrativo do nível em que chegou a TV brasileira. A Globo usa recorrentemente de mentiras para ludibriar seus telespectadores e o faz achando que ainda estamos nos anos 80, 90, quando a internet era coisa de cientistas.

Mas o mundo mudou bastante no que diz respeito ao acesso à informação.

Ao abrir o twitter hoje pela manhã vi que no TT Brasil o termo que liderava era o #ChupaSonnen, nome do americano falastrão derrotado por Anderson Silva. E o segundo era #GloboFail . Isso no momento em que acontecia a transmissão ao vivo da prova de F1, em Silverstone.

Ou seja, ao fim e ao cabo um evento bobo como o UFC acaba sendo importante para ajudar a desmascarar a forma como essa emissora lida com seus telespectadores.

Mas há algo que precisa ser dito. Se a Globo é picareta, Galvão Bueno consegue ser ainda pior. Soltar um “voltamos ao vivo” em transmissão de replay é ir além. Se ficasse quieto o narrador ainda poderia alegar que fez seu trabalho e que a emissora era a responsável pela tentativa de ilusionismo comunicativo. Mas que nada, ele quis ser sócio da farsa.


Sintonia Fina
- com Renato Rovai


sexta-feira, 6 de julho de 2012

IPCA despenca em junho: choram Leitão, Sardenberg e quetais!


 IPCA de junho fica em 0,08%, o menor desde agosto de 2010

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação de 0,08% em junho, apresentando uma forte desaceleração em relação à taxa de 0,36% registrada no mês de maio. Com o resultado de junho, o menor desde agosto de 2010 (0,04%), o primeiro semestre do ano fechou em 2,32%, bem abaixo dos 3,87% relativos ao primeiro semestre de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,92%, o mais baixo desde setembro de 2010 (4,70%) e inferior aos doze meses imediatamente anteriores (4,99%), dando continuidade à trajetória decrescente iniciada de setembro para outubro de 2011, quando passou de 7,31% para 6,97%. Em junho de 2011, a taxa havia ficado em 0,15%.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm.

A seguir, os resultados por grupo de produtos e serviços pesquisados:


O grupo transporte foi o principal responsável pelo resultado do IPCA de junho, com –1,18% de variação e impacto de –0,24 ponto percentual. O item automóveis novosexerceu a mais forte pressão para baixo. Isso ocorreu em razão do IPI reduzido desde 21 de maio, que levou a uma queda de 5,48% nos preços e impacto de -0,19 ponto. Influenciado pelos novos, no mercado dos automóveis usados, os preços se reduziram em 4,12%, provocando impacto de -0,07 ponto. Juntos, somaram –0,26 ponto percentual de impacto no índice
Além dos automóveis, os preços dos combustíveis (de –0,64% em maio para –0,51% em junho) continuaram em queda, embora menos acentuada. O etanol apresentou variação de –1,24% (-1,34% em maio) e a gasolina ficou em –0,41% (-0,52% em maio). Caíram, ainda, os preços dos acessórios e peças para automóveis (de 0,06% para –0,48%), das motocicletas (de 0,50% para –0,42%) e do seguro voluntário (de 1,67% para –0,04%).
Em contrapartida, os transportes públicos tiveram alta. As tarifas dos ônibus urbanos aumentaram 0,87%, ante 0,07% do mês anterior, em razão do reajuste de 12,00% ocorrido em Salvador (9,60%) a partir de 04 de junho, e de 8,00% ocorrido em Goiânia (5,88%) a partir de 20 de maio. Subiram também as tarifas dos ônibus intermunicipais, de –0,10% em maio para 0,97% em junho, reajustadas em 8,00% em Salvador (6,10%) a partir de 12 de junho. As tarifas aéreas (de –10,85% para 0,76%) reverteram a expressiva queda registrada no mês anterior e o táxi (de 1,16% para 0,89%) continuou em alta, mas em menor intensidade.
No grupo habitação (de 0,80% em maio para 0,28% em junho), a energia elétrica, com -0,67% contra alta de 0,72% em maio, exerceu importante influência no índice do mês. Várias regiões diminuíram o valor das contas, especialmente a de Fortaleza, cuja queda chegou a 5,42% em razão da redução do PIS/COFINS/PASEP. A taxa de água e esgoto (de 2,32% para 0,83%), também contribuiu para a desaceleração no mês. Para cima, os destaques ficaram com o aluguel residencial (de 0,63% para 0,68%), condomínio (de 0,47% para 0,54%) e mão de obra para reparos (de 1,50% para 0,92%), com este último item mostrando alta mais moderada do que no mês anterior.
Nos eletrodomésticos ocorreu queda de 1,02% em junho, ante a alta de 0,46% em maio, reduzindo o grupo artigos de residência de 0,17% para –0,03%.
Também sofreram desaceleração os artigos de vestuário (de 0,89% em maio para 0,39% em junho), além de outros itens importantes que apresentaram menor ritmo de crescimento de maio para junho, como remédios (de 0,98% para 0,05%) e empregado doméstico (de 0,66% para 0,61%).
Assim, o agrupamento dos produtos não alimentícios teve queda de 0,10% em junho contra alta de 0,25% em maio.
Quanto aos alimentos, houve desaceleração em relação a maio, passando de 0,73% para 0,68%. Os preços dos feijões, que haviam aumentado 9,10% em maio, apresentaram queda de 1,63% em junho. Mesmo assim, acumulam alta de 46,82% no ano, tendo em vista a menor oferta do produto, cuja safra foi prejudicada em função de problemas climáticos, além da diminuição da área plantada. O arroz também aumentou menos, passando de 2,11% para 1,01%. 

Os principais alimentos em alta encontram-se na tabela a seguir:

Entre os índices regionais, os maiores foram os do Rio de Janeiro e Belém, ambos com 0,23%. No Rio de Janeiro, os alimentos (1,28%) apresentaram a maior taxa entre as regiões pesquisadas. O índice de Belém foi influenciado pelo resultado do táxi (8,23%), em decorrência do reajuste de 15,10% a partir de 16 de maio. O menor índice foi o de Fortaleza, que apresentou queda de 0,26%, sob influência das contas de energia elétrica (-5,42%), que refletiram a queda do PIS/COFINS/PASEP. 

A seguir, a tabela com os resultados por região:

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de maio a 28 de junho de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de abril a 28 de maio de 2012 (base).
INPC variou 0,26% em junho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC apresentou variação de 0,26% em junho, bem abaixo do resultado de 0,55% de maio. Com isso, o primeiro semestre do ano fechou em 2,56%, também abaixo da taxa de 3,70% relativa ao primeiro semestre de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,90%, próximo dos doze meses imediatamente anteriores (4,86%). Em junho de 2011, o INPC havia ficado em 0,22%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,67% em junho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,11%. Em maio, os resultados ficaram em 0,89% e 0,42%, respectivamente.
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Salvador (0,82%) tendo em vista a taxa de água e esgoto (1,12%), que teve reajuste médio de 12,89% a partir de 1º de maio, doônibus urbano (9,60%), que foi reajustado em 12,00% a partir de 4 de junho, e do ônibus intermunicipal (6,10%), com aumento de 8,00% a partir de 12 de junho. O menor índice foi o de Fortaleza, que apresentou -0,13%, sob influência das contas de energia elétrica (-5,25%), que refletiram a queda do PIS/COFINS/PASEP.
A seguir, a tabela com os resultados por região:

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de um a seis salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do País, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de maio a 28 de junho de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de abril a 28 de maio de 2012 (base).

No IBGE


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pedágios em rodovias de SP: Preços e rentabilidade sobem, investimentos caem




por Carlos Rodrigues y Rodrigues, especial para o Viomundo

Na campanha eleitoral de 2010, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, prometeu que iria revisar o preço dos pedágios paulistas, que são os mais caros do Brasil.

Alckmin revisou, sim, os valores, só que para cima. No último domingo, os pedágios das estradas paulistas subiram aproximadamente 5%. Com um detalhe. O lucro das concessionárias rodoviárias subiu, em média, 30%, chegando até 38%, num dos casos. Já os investimentos, considerando as novas e antigas empresas do setor, caíram 5,5%.

Em 2009, a receita de pedágio foi de R$ 4,67 bilhões; em 2010, de R$ 6,04 bilhões. Já em 2011 chegou a R$ 6,8 bilhões. Portanto, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior, sendo quase duas vezes a inflação do período. De 2009 para 2011, o crescimento da receita foi de 46% ante uma inflação de 17%.

Quanto ao lucro líquido há duas situações distintas.

As concessionárias antigas (os contratos são principalmente de 1998 a 2000), que já passaram da fase de perdas dos primeiros cinco anos, quando os encargos são maiores. Integram esse grupo Autoban, Tebe, Viaoeste,Via Norte, Ecovias, Autovias, entre outras.

E as concessionárias novas, que passaram a operar após 2008. Por exemplo, Ecopistas, que administra a Ayrton Senna e a Carvalho Pinto, Rodoanel e Auto Raposo Tavares.

As novas concessionárias, por estarem começando seus serviços, amargaram prejuízo de R$ 245 milhões em 2011.

Já as antigas concessionárias – que são a imensa maioria — superaram um ano de crise econômica com um crescimento do lucro líquido em 25,6% frente a 2009, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão em 2010 e chegando a R$ 1,56 bilhão.

Desde que começaram a operar, o lucro líquido total das antigas concessionárias chegou a R$ 6,92 bilhões, capitaneados pela Autoban (R$ 2 bilhões), Ecovias (R$ 1,43 bilhão) e Via Oeste (R$ 841 milhões).

O maior crescimento do lucro líquido ocorreu na SP Vias (+125%) e na Ecopistas (+ 112%).

A relação entre o patrimônio e o lucro líquido (indica o grau de rentabilidade das empresas) mostra que em 2010 ela chegou a 38% e em 2011 pulou para 54%.

No mercado em geral, uma relação de 20% é fantástica. A melhor relação é da Autoban (110%), Ecovias (69%), Triângulo do Sol (68%) e Centrovias (51%).

Chama a atenção o crescimento da rentabilidade da Autoban. Em 2010 , era de 47% . Em 2011, saltou para 110%.

Se o lucro das antigas concessionárias vai bem, os investimentos realizados nelas vai mal. Em 2009, foram gastos com novas construções R$ 684 milhões. Em 2010, essas despesas caíram R$ 646 milhões, representando um corte de R$ 37,5 milhões (-5,5%).

Já em 2011 este valor foi muito menor ainda: R$ 375 milhões, uma queda de 42% frente a 2010.

As maiores quedas de investimentos ocorreram na Autoban (81%) e na Centrovias (80%). Já a Ecovias elevou os investimentos em 64%.

As novas concessionárias investiram mais por força contratual. Chamam atenção a Ecopistas (queda de aproximadamente 27%) e a Rota das Bandeiras ( redução de 50%) .



Carlos Rodrigues y Rodrigues é especialista em finanças públicas.



A epidemia de crimes “atípicos”



A cidade de São Paulo vive uma epidemia de violência organizada cujas origens a imprensa não consegue ou não quer esclarecer. Em menos de duas semanas, foram incendiados nove ônibus, postos policiais foram atacados e pelo menos seis policiais que estavam de folga foram assassinados. Além disso, somente neste mês de junho voltaram a ocorrer ondas de chacinas que fizeram 16 vítimas.

Oficialmente, as autoridades do estado afirmam – e os jornais reproduzem sem discussão – que se trata de “crimes atípicos”, mas observam que todos esses crimes ocorreram em bairros da periferia da capital, “onde normalmente o Estado não se faz presente de maneira completa”. 
Essa frase, dita pelo chefe da Polícia Civil a um repórter da Folha de S. Paulo, significa muita coisa mesmo sem esclarecer coisa alguma.
A primeira revelação é a de que o Estado assume sua negligência com relação à população mais pobre e a imprensa não demonstra interesse em questionar o fato de que a segurança pública só funciona “normalmente” nos bairros “não periféricos”.
“Normalmente”, como?
A segunda constatação que se pode fazer é de que os assassinatos coletivos entraram de tal maneira na rotina policial que não são capazes de provocar sequer inquietação. Para o delegado-geral, trata-se de “crimes atípicos”, a imprensa registra a constatação de que estão ocorrendo “crimes atípicos” e segue o jogo.


Relato frio

Agora, compare o leitor esse noticiário de chacinas e atentados com os recentes assaltos coletivos a restaurantes na parte – digamos – mais “nobre” da cidade. Apanhe o leitor alguns jornais do mesmo período em que foram chacinados 16 jovens na periferia de São Paulo, e compare com o tratamento dado pela imprensa aos chamados “arrastões” que assustaram e lesaram clientes de restaurantes de Higienópolis, dos Jardins, do Itaim.


Percebeu a diferença?
Cidadãos atacados nos restaurantes onde o custo de uma salada poderia alimentar cinco famílias pobres merecem ter sua indignação estampada nos jornais, suas queixas repetidas várias vezes ao dia nos telejornais e nos noticiários do rádio. Mas a mãe de um adolescente assassinado na periferia não tem voz nem nome.

Os clientes de restaurantes que pagam um dos preços mais altos do mundo por comida comum embalada em nomenclatura francesa têm todo direito a gastar como quiserem seu dinheiro, sem para isso correrem o risco de perder o smartphone ou o cartão de crédito. Quando os arrastões acontecem nas regiões mais policiadas da cidade, realmente há motivo para preocupações.
Mas observe outra vez o leitor: na quarta-feira (27/6), o Estado de S.Paulo noticia que mais seis ônibus foram incendiados em 24 horas na capital paulista. Trata-se de um relato frio, com números e apenas os depoimentos do motorista e do cobrador. Abaixo, outra reportagem comenta que o aumento da criminalidade amplia o debate sobre a punibilidade de menores de dezoito anos, com o governador do estado voltando a defender o aumento da punição para adolescentes infratores.


Estado paralelo

A Folha de S. Paulo registra a terceira chacina em quatro dias e também comenta a sequência de ônibus incendiados. Traz os nomes das vítimas mais recentes das execuções coletivas, quatro jovens com idades entre 16 e 20 anos, mas não há informações pessoais sobre eles ou entrevistas com seus familiares.
São números, detalhes de uma onda de “crimes atípicos”. Mas o próprio jornal insinua que há uma relação entre os atentados contra policiais militares em folga, os incêndios de ônibus e as chacinas.

O que a imprensa se nega a dizer é que a onda de violência pode ter origem num desequilíbrio nas relações diplomáticas entre a segurança pública e o crime organizado. Uma das hipóteses investigadas indica que os assassinatos de policiais e incêndios de ônibus começaram quando um dos chefes do grupo criminoso conhecido como Primeiro Comando da Capital foi transferido para um presídio com normas mais rígidas. 

No mesmo período, uma operação da Polícia Militar resultou nas mortes de seis supostos integrantes da quadrilha que domina amplos territórios da periferia da capital paulista.
Essa seria a causa das ocorrências “atípicas”?
Talvez seja o caso de a imprensa começar a questionar por que o estado de São Paulo não adota o projeto carioca de pacificação dos bairros dominados por criminosos, comprometendo-se com a sociedade a eliminar o Estado paralelo imposto pelo crime organizado aos moradores da periferia.

Luciano Martins Costa
Do Observatório da Imprensa