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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Veja é a barbárie!



8 de fevereiro de 2014 | 06:30 Autor: Miguel do Rosário




Artigo essencial do Rodrigo, desmascarando o “mandrake” da Veja, tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o fascismo que ela mesmo incentiva.

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“Veja” é a barbárie: jornalismo justiceiro

“A “Veja” é a barbárie. A “Veja” – se pudesse – prenderia o pescoço do povo brasileiro no poste. Mas não vai conseguir. Vai perder – de novo.”

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador.

Nas redes sociais, tarde da noite de sexta-feira, jornalistas afinados com o tucanato e militantes da esquerda extremada se esparramavam em elogios à capa da “Veja”. Eu, que procuro manter distância sanitária da revista, aproximei-me da capa. E só consegui enxergar um gesto de oportunismo barato.

A “Veja” expõe a imagem – chocante, lamentável, triste – do rapaz preso pelo pescoço num poste na zona sul carioca, e aproveita a cena não para refletir sobre a tradição oligárquica brasileira, não para pensar sobre nossa história de 300 anos de escravidão, ou sobre nossa elite que reclama de pobres nos aviões e clama sempre pela resposta fácil do liberalismo de araque e da violência de capatazes. Não. “Veja” usa a foto terrível em mais uma tentativa para desgastar a imagem do Brasil; e também – que surpresa – para culpar o “governo”. Que governo? Ah, não é preciso ser muito esperto pra descobrir…

Emoldurando a foto triste, “Veja” berra em letras garrafais: “Civilização” e “Barbárie”. E depois acrescenta a legenda malandra, velhaca: “A volta dos justiceiros, criminosos impunes, colapso no transporte, caos aéreo. Onde está o Brasil equilibrado, rico em petróleo, educado e viável que só o governo enxerga”.

Certamente, o Brasil “equilibrado” não está nessa revista. “Veja” pratica o jornalismo da barbárie, um jornalismo que escreve “estado” assim – com “E” minúsculo – numa espécie de bravata liberal fora de época. “Veja” envenena o país todos os dias, com blogueiros obtusos, asquerosos, que falam para um Brasil pretensamente senhorial, como se ainda estivéssemos antes da Revolução de 30.

Curioso, também, ver a “Veja” falar em “barbárie” e em “criminosos impunes”. Logo essa revista, tão próxima do bicheiro Cachoeira, pautada pelo bicheiro, amiga do bicheiro. A tabelinha com Cachoeira é – sim – um exemplo perfeito desse Brasil de criminosos impunes.

A “Veja”, que tenta pegar carona na imagem do rapaz preso pelo pescoço, pratica um jornalismo justiceiro – que invade quartos de hotel, “julga” e “condena” sem provas, inventa fatos, publica grampos sem áudio, alardeia contas no exterior e dólares em caixa de whisky. Tudo falso, falsificado. Um jornalismo que acredita em boimate e Gilmar Mendes.

A revista não tem moral para falar contra a “barbárie”, nem contra os “justiceiros”. E não tem, precisamente, por praticar um jornalismo que é a própria encarnação da barbárie, da falta de escrúpulos, um jornalismo justiceiro.

O Brasil do lulismo tem muitos problemas. Isso é evidente. Mas não venha a “Veja” querer apresentar a receita de “Civilização” ao Brasil. A receita da “Veja” é a mesma que os EUA oferecem à Ucrânia.

Está claro, por essa capa oportunista e velhaca, qual é a pauta dos setores que não aceitam o Brasil um pouquinho mais avançado dos últimos anos: é jogar tudo no “caos”, na “barbárie”, na insegurança. O Brasil é a jóia da coroa na América Latina em 2014. Tão importante quanto a Ucrânia no leste europeu, tão estratégico quanto a Síria no Oriente Médio.

Não sejamos ingênuos. A velha imprensa brasileira – que se reúne com embaixadores dos EUA às escondidas (isso desde 64, mas também em 2010 – como nos revelou o Wikileaks) – é parte decisiva no jogo pesado que veremos em 2014.

A oposição brasileira não tem programa. A economia não afunda como gostariam os urubulinos. Portanto, é preciso produzir a pauta do caos. Esse é o caldo de cultura em que podem prosperar candidaturas “justiceiras” que a “Veja”, os mervais e outros quetais estão prontos a lançar.

Para retomar o Estado brasileiro, eles pouco se lixam se o preço a pagar for a ebulição social. Aécio e Eduardo não darão conta dessa pauta da “ordem contra a barbárie”. A pauta do caos e do Brasil “inviável” (que está na capa da “Veja”) é boa para aventuras autoritárias – semelhantes ao janismo de 1960.

Quem pode encarnar esse figurino? Quem? O terreno vai sendo preparado…

Não creio que o povo brasileiro – equilibrado, sim! E que trabalha duro para construir um país “viável”, sim – não creio que a maioria de nosso povo embarque na aventura da “ordem contra a barbárie” – proposta pela revista. Mas a direita asquerosa e velhaca vai tentar.

O roteiro está claro. É preciso estar atento. E não cair na esparrela de acreditar que a “Veja” – de repente – converteu-se à “Civilização”.

A “Veja” é a barbárie. No jornalismo, na política, na vida do brasileiro comum.

A “Veja” – se pudesse – prenderia o pescoço do povo brasileiro no poste. Mas não vai conseguir. Vai perder – de novo.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Para aqueles que não vêm diferenças entre governos e tratam apagão como se fosse genérico!

O “planejamento energético” de FHC: “Você apagou a luz e iluminou o Brasil”.
7 de fevereiro de 2014 | 13:54 Autor: Fernando Brito




A gente às vezes tem de voltar atrás e ir buscar no passado situações que a galera de 20, 25 anos não tem nem como recordar, porque era bem criança.

Mas a frase aí de cima não é piada: foi dita pelo senhor Fernando Henrique Cardoso, em 19 de fevereiro de 2002, há 11 anos atrás, para marcar o fim de nove meses de racionamento de energia elétrica.

O país havia privatizado – praticamente doado – as suas empresas de energia elétrica a partir de 1997 e o resultado foi um corte completo nos investimentos em transmissão e geração de energia.

Com a crise, FHC saiu correndo atrás do prejuízo e ofereceu mundos e fundos a quem viesse montar termoelétricas no Brasil. Mundos e fundos que, claro, eram os do povo brasileiro.

A Petrobrás foi obrigada a fazer contratos ruinosos, se obrigando a comprar energia gerada pelas térmicas pelos olhos da cara, tão caro que, adiante, a empresa acabou comprando as próprias térmicas, para, pelo menos, ter prejuízo “consigo mesma”.

Agora julgue se a situação é parecida, apesar da mais severa estiagem vivida – ao menos aqui no Rio de Janeiro – desde 1967.

Quando a Presidenta Dilma Rousseff duvida publicamente de que tenha sido algum “raio” que causou a interrupção desta semana, ela está, na verdade, mandando um recado para as operadoras – que agora são privadas – de energia elétrica.

- Não armem “caos” para conseguir mais dinheiro do Governo.

É claro que a situação energética, longe de ser a oitava maravilha do mundo depois de um ano de seca, como foi 2013, e de um início de 2014 de calor infernal e recordes diários de consumo.

Mas tem caroço debaixo desse angu, porque as elétricas nãos estão nada contentes com a política de mocidade tarifária que o Governo adotou, tanto que já estão arranjando “especialistas” para condenar o modelo.

Tem gente doida por um “apagranas”.

Vá aos balanços e veja se elas estão tendo prejuízos.

O sucesso do leilão, hoje, do linhão que vai trazer a energia de Belo Monte – que estamos tentando há anos e anos construir, sob a mais pesada oposição dos que reclamam da escassez de energia – prova que as tarifas não são baixas e que poderiam até ainda cair.

Ou você acha que os chineses da Smart Grid, que opera o consórcio vencedor com a Eletrobras veio para cá para fazer caridade?

Assim que vierem as chuvas atrasadas, a enxurrada leva essas armações que usam a seca real para ver se os bolsos enchem mais ainda.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ganhadores e perdedores da Cúpula de Havana

Finalizada a 2ª Reunião da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, a CELAC, pode-se afirmar que um dos grandes derrotados foi o governo dos Estados Unidos. Não apenas por sua ausência na reunião. Mas porque o encontro foi em Cuba, o que significou um revés instantâneo para Washington na sua tentativa de isolar a ilha do mundo.

A visita do próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, legitimando a reunião, suas conversas com Fidel e Raúl Castro e sua visita à Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) foram parte de uma vitória política, diplomática (e também simbólica) da ilha.

“Cuba tem uma longa história de cooperação. Os médicos cubanos são os primeiros a chegar e os últimos a sair. Cuba pode ensinar ao mundo sobre o seu sistema de saúde, baseado nos cuidados primários, com importantes conquistas, como uma baixa mortalidade, uma maior esperança de vida e uma cobertura universal”, foi a contundente frase de Ban Ki Moon durante sua visita à ELAM, algo que, em geral, os grandes meios de comunicação do continente não divulgaram.

Na plenária geral de presidentes, Rafael Correa despertou a todos com sua crítica frontal à OEA. No auditório estava menos que seu secretário-geral, José María Insulza – que foi a Havana desprestigiado, assumindo uma derrota (ainda relativa) do organismo que dirige perpetrada pela própria CELAC.

“Para que serve a OEA se não é capaz de rechaçar o colonialismo britânico nas Ilhas Malvinas; se tem sua sede no país do criminoso bloqueio a Cuba?”, perguntou o presidente equatoriano, que também afirmou que “a única forma de se libertar do império do capital é a integração real dos países da região”.

A luta pela soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas foi um eixo transversal na quase totalidade das intervenções, inclusive na de Cristina Fernández de Kirchner, que denunciou a violação do Tratado do Tlatelolco – relativo à desnuclearização da América Latina – pela Grã-Bretanha, através de submarinos nucleares no Atlântico Sul.

O combate à pobreza e à desigualdade foi outro tópico trabalhado pela maioria dos Chefes de Estado, em uma América Latina e Caribe com cerca de 50 milhões de pobres.

Saiba Mais: Unisinos


Comentário do Senhor C.:

- E, provavelmente, cantaria um certo senhor Caetano; "Enquanto pobres patetas professam seu ódio ideológico a ilha, o mundo gira, a lusitana roda, e a unidade latino-americana caminha. E o povo cubano, e não Fidel apenas, vai marcando com cores vivas o seu papel na marcha singular da história" 


sábado, 1 de fevereiro de 2014

“Na ditadura dos Castro, todo mundo come. E não são criancinhas!”

por Rui Daher, reproduzido de Tijolaço, do Fernando Brito.



Rui Daher é produtor rural, colaborador da CartaCapital e, agora, titular de um blog no Terra Magazine.

Gosto de lê-lo, não é rabugento e mal-humorado. Do “rolezinho” à biotecnologia, não foge de assunto nenhum.

E nos brinda, esta semana, com um artigo delicioso, onde troca, sem remorsos, a divagação sociológica pela praticidade de quem lida com plantar e colher.

E dá boa informação, que devia envergonhar os que se dizem “mercadistas” e, como sectários, deixam de ver que Cuba tem muito a negociar conosco e o Brasil, com eles.

Um país pobre, carente de investimentos e de tecnologia.

Mas cheio de lições, sobretudo a de que é possível, mesmo na carência, tratar pessoas como pessoas, com direito a comer, ter saúde e educação.

Quem sabe aquelas meninas e meninos de Fortaleza possam dar aos médicos que vem de lá cuidar da saúde dos brasileiros que eles não querem tratar uma recepção tão calorosa quanto dariam a uma banda de rock americana?

Vamos ao texto:

Emergimos como bichos-de-pé nos dedos dos EUA e da Europa
O caríssimo leitorado, por certo, tem-se esfalfado conjuminando sobre os motivos que levam jovens da periferia a se reunirem nos shoppings da cidade. Como se o fato fosse inédito e pudesse tirar as ciências sociais da letargia pós-embasbacamento com a queda do Muro de Berlim.

Somem-se a isso as multidões que irão impedir a realização da Copa do Mundo e certo neoambientalismo, que sugere brecar o crescimento mesmo em populações divididas entre miseráveis, remediados e ativistas da hipocrisia. Ricos, estes, sempre crescerão.

É justo, pois, impedir pobres de aquisições que durante séculos foram privilégio de poucos no planeta? Ou o rótulo emergente basta para a satisfação? Sim, emergimos. Como bichos-de-pé nos dedos de EUA e Europa.

Reconheço que a comunicação digital e as redes sociais trouxeram tempos árduos a quem deseja aprofundar o conhecimento. É muita informação. Poderia fazer desta coluna um refresco, anunciando estarmos próximos de ter cebolas longa vida, adensar o plantio de algodão e plantar canola como alternativa ao milho safrinha. Temas leves e da minha alçada.

Creio, no entanto, que assim não recolheria dedinhos de recomendação nem os louros de abundantes comentários. O brasileiro internáutico está mais para polêmicas do que para polímeros recobrindo sementes.

Vamos, então, de Cuba, motivo frequente de acirrados debates, ainda mais em semana presidencial e portuária na ilha do Caribe. Como dizia Caetano Veloso a Dona Canô: “Mamãe, eu quero ir a Cuba, quero ver a vida lá, e quero voltar”.

Na ditadura dos Castro todo mundo come. E não são criancinhas. Dezesseis países cumpriram a meta estipulada pela FAO, em 1996, de erradicar a fome. Cuba foi um deles. Apesar do embargo norte-americano e dos editoriais em nossas folhas e telas cotidianas.

Além das pouco contestadas conquistas em saúde e educação, lá a má nutrição não atinge 5% da população. Pouca vantagem nisso, dirão. O povo quer mesmo é votar, no que tem sido impedido pelo regime. Ainda assim a notícia é boa. Vai que um dia, bem alimentados, recolham forças para derrubá-lo.

A ilha caribenha tem aproximadamente 11 milhões de hectares. Segundo a FAO, planta em 60% da área. Baita monocultura. A cana-de-açúcar representa 90% da produção física. O saldo é preenchido com frutas e bom tabaco. A exportação de “puros” beira 200 milhões de dólares. Entre as frutas, destaca-se o grapefruit. Talvez na esperança da volta do turismo norte-americano.

Em 2012, o valor da produção dos 20 principais produtos agropecuários cubanos chegou a pouco mais de 2 bilhões de dólares. Na última safra, com o mesmo número de produtos, o Brasil atingiu 180 bilhões de dólares. Tá provado que tamanho é, sim, documento. Tecnologia, também.

Cuba exporta pouco. Cerca de 750 milhões de dólares anuais. Mas isso representa 30% do total caribenho, região que não está bloqueada. Em um item, porém, Cuba é líder: exportação de falatório.

Do lado da importação, trigo, milho, soja e frango representam 90%, itens que acrescidos de açúcar, arroz, suco de laranja, café e carnes bovina e suína formam o perfil do comércio mundial de produtos agropecuários. Daí sua predominância no Brasil.

Não há muita firula tecnológica na agricultura cubana. Quando os russos por lá estiveram pouco entendiam do serviço em áreas tropicais. Hoje em dia, o Brasil, através da Embrapa e de empresas do setor sucroenergético, vem tratando do assunto. Enquanto aqui a produtividade da cana-de-açúcar, na última safra, foi de 75 toneladas/hectare, em Cuba, ela não passa de 35 t/ha.

O embargo dos EUA a Cuba vem desde 1962. Em março de 2015, no Panamá, será realizada uma nova Cúpula das Américas. Não será a hora, presidente Obama?

Mais um minuto da sua atenção. Assim como o tomate frequentou o pescoço e arrepiou os cabelos de apresentadora da TV Globo, e agora é cogitado de importação pela Argentina para ajudar a conter a inflação, o feijão, que já assombrou os semblantes de William e Patrícia, tem os preços em queda livre. Produtores não recebem mais do que 65 reais pela saca de 60 kg do produto de boa qualidade. Nos olhos dos outros não arde, certo?