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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Melhor notícia: Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe, diz estudo

Só faltava essa!

No topo da lista, elaborada entre 176 países, está a Finlândia, enquanto a República Democrática do Congo está em último
Opera Mundi

Cuba é o melhor país da América Latina para a maternidade e o 33º do mundo, segundo um índice da organização britânica Save the Children. No topo está a Finlândia e a República Democrática do Congo em último. Os Estados Unidos estão em 30º lugar.

A ONG, cuja sede fica em Londres, leva em conta fatores como bem-estar, saúde, educação e situação econômica das mães, assim como a taxa de mortalidade infantil e materna, para definir a tabela.

Levando em conta somente a América Latina e Caribe, Cuba está à frente da Argentina (36), Costa Rica (41), México (49) e Chile (51). O Haiti está no 164º lugar. Também em postos relativamente baixos estão Honduras (111), Paraguai (114) e Guatemala (128). A Venezuela está em 66º.

"Apesar de a América Latina ter conseguido enormes avanços, podemos fazer mais para salvar e melhorar a vida de milhões de mães e bebês recém-nascidos que se encontram na maior situação de pobreza", afirmou o diretor da Save the Children para a América Latina, Beat Rohr. Ele disse que os maiores avanços foram registrados no Brasil, Peru, México e Nicarágua.

O Índice de Risco do Dia do Parto, elaborado pela primeira vez, revela que 18 % de todas as mortes de crianças menores de 5 anos na América Latina ocorrem durante o dia de nascimento. As principais causas são nascimentos prematuros, infecções graves e complicações durante o parto.

Contudo, a mortalidade neonatal na região diminuiu 58 % nas últimas duas décadas, apesar de ainda existir uma grande diferença na atenção dada às pessoas ricas e às com menos recursos, ressalta o estudo. A Save the Children estima que, a nível mundial, mais de um milhão de recém-nascidos poderiam ser salvos todos os anos caso o acesso à saúde fosse universal.

"Quando as mulheres têm educação, representação política e uma atenção materna e infantil de qualidade, elas e seus bebês têm muito mais probabilidades de sibreviver e prosperar, assim como a sociedade na qual vivem", sublinhou Rohr.



Comentário do Senhor C.:

- Sei não, tenho a impressão de que o comunismo fez mais vítimas na elegante City londrina. 
Cuba, melhor país da América Latina para ser mãe?! Que coisa! Não acredito!!!

A considerar o que ouvimos aqui a respeito da Ilha, só pode ser mentira! 
Isso é coisa de comunistas, que, como sabemos, faz décadas, comem criancinhas. Deve ser por isso, que cuidam melhor da maternidade. Estarão pensando na sua própria nutrição?

Só pode ser mentira! Lógico! 

Este país é uma farsa. Deve ter comprado o apoio da tal ONG com rios de dinheiro para eles divulgarem notícias de interesse da elite dirigente da ILHA. 
Não passa de uma ditadura extemporânea já passou do ponto de cair; 
não é mais que um reduto da mistificação e venda de ilusões com respeito a qualidade de sua medicina e de sua saúde pública; 
é átrio do inferno comunista que ameaça há 50 anos a estabilidade econômica dos EUA (coitadinho deste país: tão longe de Deus, tão perto de Cuba). 

E agora mais essa!

E pior: aqui entre nós, ainda está ativo o militante cubano mais brasileiro,  um tal de Fernando Morais, escritor e jornalista, que insiste, há pelo menos três décadas em publicar aleivosias dignas de uma Macondo imaginária, a la Gabriel Garcia Marquez. Segundo nosso escritor aquela ilha é povoada por sonhos realizados e outras façanhas. Sua mais recente história (Os últimos soldados da guerra fria - 2011), agora inventou cinco heróis cubanos presos nos EUA por ações de contra-terrorismo que mais parecem saídos da série de James Bond e outras maravilhas mais. É, disparado, nosso melhor ficcionista. Ou será o contrário?!
Arre égua! Quando é que os cubanos vão parar com isso?




segunda-feira, 6 de maio de 2013

Boa notícia: Cuba enviará seis mil médicos para o Brasil





Já ouço o grito da direita: - Lá vem os médicos comunistas!


Brasil trará 6.000 médicos cubanos para atender moradores de áreas carentes
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil, em Brasília


Os governos do Brasil e de Cuba, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, estão acertando como será a vinda de 6.000 médicos cubanos para trabalharem nas regiões brasileiras mais carentes. Os detalhes estão em negociação. Os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o cubano Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, anunciaram nesta segunda-feira (6) a parceria.

Patriota e Rodríguez não informaram como será a concessão de visto – se será definitivo ou provisório. Segundo o chanceler brasileiro, há um déficit de profissionais brasileiros na área de saúde atuando nas áreas carentes do país, daí a articulação com Cuba.

"Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina no Brasil. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e à qual atribuímos valor estratégico", disse ele.

As negociações para o envio dos médicos cubanos para o Brasil foi iniciada pela presidente Dilma Rousseff, em janeiro de 2012, quando visitou Havana, a capital cubana. Ela defendeu uma iniciativa conjunta para a produção de medicamentos e mencionou a ampliação do envio de médicos cubanos ao Brasil, para apoiar o atendimento no SUS (Serviço Único de Saúde).

"Cuba tem uma proficiência grande na área de medicina, farmacêutica e de biotecnologia. O Brasil está examinando a possibilidade de acolher médicos por intermédio de conversas que envolvem a Organização Pan-Americana de Saúde, e está se pensando em algo em torno de seis mil ou pouco mais", destacou Patriota.

Segundo o chanceler brasileiro, as negociações estão em curso, mas a ideia é que os profissionais cubanos atuem nas áreas mais carentes do Brasil. "Ainda estamos finalizando os entendimentos para que eles possam desempenhar sua atividade profissional no Brasil, no sentido de dar atendimento a regiões particularmente carentes no Brasil", disse.

A visita do chanceler de Cuba ocorre no momento em que o presidente cubano, Raúl Castro, implementa mudanças no país, promovendo a abertura econômica e avanços na área social. Segundo Bruno Rodríguez, a parceria com o Brasil é intensa principalmente nas áreas econômica, social e turística. "Há um excelente intercâmbio de ideias", disse o cubano.

O comércio entre Brasil e Cuba aumentou mais de sete vezes no período de 2003 a 2012, segundo o Ministério das Relações Exteriores. De 2010 a 2012, as exportações brasileiras para Cuba cresceram 36,9%. No ano passado, o comércio bilateral alcançou o recorde de US$ 661,6 milhões.


domingo, 5 de maio de 2013

Uma introdução ao conceito de dinheiro de Marx


Uma coisa com qualidades transcendentais: O dinheiro como relação social no capitalismo


Por Michael Heinrich

O que é dinheiro? Essa questão dificilmente tem qualquer significação no cotidiano dos mercados. O que importa é que ele exista em quantidade suficiente. As teorias econômicas burguesas reduzem o dinheiro às suas funções econômicas. A onipresença do dinheiro é crucial e pressupõe certas condições. Ademais, a crítica dos mercados financeiros fica incompleta quando se suprime as relações sociais fundamentais que se encontram reificadas no dinheiro.

“O dinheiro faz o mundo girar.” Essa afirmação é confirmada em todos os níveis da vida cotidiana na sociedade capitalista: se a questão em vista for comprar pães para o café-da-manhã, investir em grandes negócios, aplicar em fundos de pensão, o problema relevante vem a ser sempre se há dinheiro suficiente, senão como obter mais dele. O que é surpreendente, porém, é que dificilmente o dinheiro tem qualquer papel na teoria neoclássica, a qual detém plena dominância nas universidades e entre os assessores econômicos governamentais.

Para a escola neoclássica, que provê os fundamentos teóricos das políticas neoliberais, o dinheiro é simplesmente um meio de circulação, um recurso prático que simplifica as trocas e é usado como unidade de medida. A escola neoclássica nega ao dinheiro qualquer relevância intrínseca: somente as quantidades “reais”, as quantidades de bens e serviços que são produzidos e trocados, investidos e consumidos, são decisivos para ela. A esfera monetária é vista pela escola neoclássica como um véu que encobre a esfera “real” dos produtos físicos. Este véu pode produzir dificuldades de curto prazo como resultado de má administração (por exemplo, quando o banco central emite dinheiro demais, inflacionando a economia), mas no longo prazo, as relações “reais” subjacentes se acertam por si mesmas. Quando se permite que os mercados operem sem restrições – assim reza a lição da escola neoclássica dominante – um “ótimo” social (máximo produto ao mínimo preço) deve surgir.

Para o keynesianismo, ao qual atualmente se atribui um papel menor na teoria econômica acadêmica, o dinheiro é muito mais importante do que para a escola neoclássica. Ele não é reduzido à sua função de meio de circulação; ao invés, destaca-se a sua capacidade de funcionar como um meio de preservação do valor para, assim, ligá-lo as condições fundamentais de insegurança na economia de mercado: o dinheiro funciona como um porto seguro principalmente contra um futuro incerto. Se a insegurança é crescente, de acordo com o argumento keynesiano, mais dinheiro é mantido “líquido”, isto é, famílias e empresas gastam menos e menos estão inclinadas a fazerem investimentos de longo prazo; preferem não perder acesso ao dinheiro no curto prazo. Isto leva ao crescimento da taxa de juros e à redução do investimento, o que produz queda da renda e crescimento do desemprego. O keynesianismo não reconhece a existência de um processo automático capaz de remediar a crise, daí que defenda a necessidade da intervenção estatal.

Dinheiro – meramente um instrumento privilegiado?

Essa questão, porém, foi central no exame que Marx fez do dinheiro. Várias correntes nos movimentos trabalhistas ingleses e franceses do século XIX lutaram para reformar o capitalismo mudando o sistema monetário: assim, para eles, a produção privada de mercadoria seria mantida, mas o dinheiro seria substituído por cupons que denotavam horas trabalhadas ou por certificados que davam direitos a bens (a semelhança das entradas de teatro). Em contraste com esses esforços reformistas, Marx tentou mostrar que o modo de produção burguês necessita de um meio de troca particular, o dinheiro, o qual por sua própria natureza não é uma coisa inócua como uma entrada de teatro.

Os produtores privados e individuais de mercadoria estão ligados entre si por meio da divisão societária de trabalho, mas os seus produtos adquirem o caráter social somente retrospectivamente, a saber, quando eles realizam os seus valores no mercado. Numa sociedade baseada na troca, o caráter social dos bens produzidos não consiste somente em sua capacidade de satisfazer as necessidades das pessoas; os produtos devem manter uns com os outros uma relação quantitativa de troca, devem possuir “valor” em adição ao seu valor de uso.

Na sociedade burguesa, a riqueza se torna uma quantidade abstrata: não consiste de uma multiplicidade de valores de uso e de amenidades, mas, ao invés, consiste de “valor”. Mas o “valor” não pode ser apreendido por meio da consideração de uma única mercadoria, pois ele existe somente na relação entre as mercadorias. Ademais, o “valor” tem apenas uma expressão limitada e local por meio da relação particular de uma mercadoria com outra. O valor da mercadoria apenas pode obter uma expressão universal e socialmente válida quando aparece incorporado numa forma independente de “valor” – isto é, quando ele se representa numa coisa que, na relação com todas as outras mercadorias, não figura simplesmente como mais uma mercadoria, mas como uma expressão de “valor” por excelência. [1] Somente nessa situação pode uma simples mercadoria afirmar o seu caráter de “valor” independentemente do seu caráter concreto como valor de uso. A riqueza abstrata necessita de uma forma material particular de existência – e o dinheiro é exatamente essa forma. Numa sociedade baseada na troca de mercadorias, o dinheiro não é meramente um instrumento mais ou menos importante; é necessariamente um meio de socialização econômica.

Os produtores individuais de mercadoria não estabelecem as suas relações sociais uns com os outros enquanto pessoas. Precisamente, porque os indivíduos isolados desaparecem atrás de seus produtos, a sua coesão social – num sentido bem literal – se torna reificada (em alemão: verdinglicht), ou seja, é aprisionada numa coisa, ou seja, no dinheiro. O dinheiro não é simplesmente – como a escola neoclássica mantém – uma simplificação do processo de troca, a qual em princípio pode ser dispensada. Ao invés, o dinheiro é um meio por meio do qual os produtores individuais e isolados de mercadorias se relacionam e, assim, se conservam uns em relação aos outros.

A produção de mercadoria é impossível sem a correlação entre as mercadorias e o dinheiro. Por essa razão, há um importante limite para todo projeto utópico; se alguém deseja a abolição do dinheiro, deve almejar também a abolição do conjunto das relações societárias que o requerem. Não se pode ter uma sem a outra.

Do dinheiro ao capital

Se a totalidade do processo social de reprodução é mediada pela mercadoria e pelo dinheiro, isto é, se a produção de mercadoria não está restrita a existir em um nicho no interior de outro modo de produção (como foi o caso, inicialmente, no período feudal da Europa Ocidental), então o dinheiro adquire nova qualidade como capital. A incorporação autônoma de “valor”, por meio da qual a socialização econômica da produção de mercadoria é realizada, ela mesma se torna o fim principal da atividade econômica. Precisamente porque o dinheiro é a encarnação da riqueza abstrata, a qual não está sujeita a limites imanentes, ninguém nunca terá “suficiente” dele a sua disposição.

O comércio e a produção devem não apenas gerar dinheiro, mas sim, eles devem gerar continuamente novas somas de dinheiro. A generalização da produção de mercadorias é somente possível quando a própria produção é transformada em produção capitalista, quando a multiplicação e o aumento da riqueza abstrata se torna o fim direto da produção e todas as outras relações sociais ficam subsumidas a esse fim. O “poder destrutivo do dinheiro”, o qual foi objeto de muita crítica nos modos de produção pré-capitalistas (por muitos autores da Grécia Antiga, por exemplo) está enraizada precisamente nesse processo de capitalização da sociedade como resultado da generalização da relação de dinheiro. As concepções de socialismo de mercado que almejam abolir a produção capitalista, mantendo, entretanto, o mercado, a produção mercantil e o dinheiro (por causa de sua “eficiência” na produção e na inovação) enfrentam esse problema fundamental: como impedir a recapitalizacão da sociedade sem inibir a “eficiência” do mercado.

A produção capitalista e os mercados financeiros
Como a coesão social numa sociedade de troca mercantil é estabelecida primariamente pelo dinheiro, este tem o poder de corromper essa coesão: a “possibilidade da crise” – como Marx já notara no terceiro capítulo de O capital– surge com o dinheiro. Não apenas o dinheiro faz a mediação das trocas no circuito mercadoria-dinheiro-mercadoria (alguém vende sua própria mercadoria a fim de adquirir subsequentemente outra mercadoria), mas ele permite a interrupção dessa mediação: uma venda sem o acompanhamento de uma compra (isto é, o dinheiro obtido pela venda não é utilizado em nova compra) produz uma ruptura na cadeia de reprodução. 

Assim que isso acontece, as mercadorias produzidas não podem mais ser vendidas; a produção torna-se limitada, entrando em estagnação. A consequência disso é, de um lado, capital ocioso e, de outro, desemprego da força de trabalho. Uma série de circunstâncias adicionais é necessária para que a mera possibilidade de crise se desenvolva e se transforme numa crise real.

No marxismo tradicional, essas circunstâncias são observadas primariamente nas próprias condições capitalistas de produção, por meio da “lei tendencial da queda da taxa de lucro”. Em contraste, o dinheiro e o crédito tem um papel secundário como “mero fenômeno de circulação”. Como resultado dessa abordagem unilateral voltada para as condições da produção, perde-se de vista o fato de que é impossível a produção de mercadoria sem dinheiro; a produção capitalista não pode existir sem o crédito (assim como sem as formas evoluídas tais como o dinheiro de crédito, a ações, os títulos etc.). O caráter flexível da produção capitalista se deve precisamente ao fato de que a acumulação não encontra limites nos lucros realizados nos períodos prévios de produção, mas pode ser expandido muito além por meio do crédito; ora, isto implica a possibilidade da superprodução.


Porém, o crédito é somente expandido (ou novas ações, dependendo da situação, são emitidas) naqueles setores em que altos níveis de lucro futuros são esperados. Nesse sentido, um forte elemento especulativo é inerente ao sistema financeiro como um todo. Esse elemento especulativo é reforçado adicionalmente por meio de instrumentos financeiros tais como as opções (direitos de adquirir participações específicas a um preço pré-determinado). 
Contudo, o elemento especulativo é inerente a todos os aspectos da produção capitalista: um empreendedor nunca pode saber com plena certeza se os seus produtos serão vendidos e a que preços, ou se os investimentos que faz trarão o nível esperado de lucros no futuro. Assim, o crédito e a especulação não são de modo algum condições externas que vem atrapalhar uma produção capitalista que não vem a ser inerentemente especulativa. Sem um setor financeiro especulativo, a produção capitalista é impossível.

Não se trata somente de observar que essa correlação deveria ser mais fortemente levada em consideração no campo da teoria da crise do que o fora no campo do marxismo tradicional. Trata-se, ademais, de tema importante para a crítica da globalização contemporânea. É comum que a critica se dirija contra um capitalismo “sem freios” cujo poder destrutivo parece estar associado a um sistema financeiro especulativo. 

Ora, o fato de o sistema financeiro estabelecer padrões de lucratividade e de eficácia de custos para as empresas individuais, dizer sobre como elas devem obter crédito e emitir ações, não é de modo algum um fenômeno recente. Tradicionalmente, o sistema financeiro tem exercido essa “função de controle”. O fato novo das últimas décadas é a emergência de um sistema financeiro largamente internacionalizado, o qual passou crescentemente a ditar os padrões internacionais de valorização do capital.

Se o aumento da especulação é visto como a causa principal das doenças do capitalismo, passa-se a recomendar mais regulação; e, assim, a relação necessária entre o sistema financeiro e a produção capitalista é velada. Desse modo – ao menos tendencialmente – passa-se a contrastar um sistema capitalista “bom” com um “mau”, sendo este último um capitalismo financeiro especulativo. Não está pré-determinado, de modo algum, a quantidade e a qualidade da regulação necessária para controlar “efetivamente” os fluxos de capital. Nesse sentido, as demandas dos críticos da globalização por mais regulação não são necessariamente pouco realistas ou impossíveis de serem introduzidas. 

Porém, pode-se duvidar de que essa regulação venha a suprimir os piores aspectos do capitalismo. Mesmo num capitalismo altamente regulado, a satisfação das necessidades e dos desejos, a eliminação das desigualdades sociais, ou mesmo uma boa vida, não são objetivos próprios da atividade econômica. Esta visa – isto sim – a valorização, a acumulação de riqueza abstrata – um fim para o qual os seres humanos e a natureza são apenas meios – meios estes, aliás, que estão sendo constantemente administrados para aquela finalidade seja atingida.

Notas
[1] Isto é mostrado na seção “Forma do valor ou o valor de troca” no primeiro capítulo de O capital.
[2] Em O capital, Marx mencionou que o mero produto é uma “coisa sensível”, mas que ele se torna, enquanto mercadoria, uma “coisa sensível suprassensível”.

sábado, 4 de maio de 2013

Uma imagem mente mais do que mil palavras

- "Ei, você aí, estamos na democracia mais sólida da América Latina!"

Por Rafael Chacón

“Covardes! Por que não publicam isso?...e na continuação encontrávamos uma imagem de umas urnas de votação sendo queimadas que “comprovavam a fraude eleitoral na Venezuela” e que circularam à exaustão nas redes sociais.

Dizem que uma imagem pode ser mais explícita que qualquer texto que se publique sobre um fato qualquer. Sim, é certo. Mas isso só vale se a imagem é verídica, se ela retrata um fato real.Através de nossa página (da BBC) no Facebook , muitos de nossos seguidores compartilharam essas fotos e vídeos conosco, pedindo que os publicássemos para mostrar “a verdade” das eleições na Venezuela. O mesmo ocorreu no Twitter.

Inclusive, quando meu colega Alfredo Ochoa, neste mesmo espaço, escrevia sobre os desafios de cobrir eleições como as venezuelanas, onde a polarização é muito elevada, um dos comentários não só exigia que publicássemos tais fotos, como também nos acusava de receber dinheiro do governo da Venezuela por não fazê-lo.
Exemplo de imagem inverídica que circularam na rede sobre as eleições venezuelanas

No entanto, descobriu-se que essas fotos eram de processos eleitorais anteriores e não lançavam luz sobre um fato já por si bastante complicado e que ainda estava sob questionamento. A polêmica inclusive não terminou.

Mas o risco de “mentir mais do que mil palavras” vai mais além da Venezuela. Também tem a ver com o caso de Boston, onde a informação que circulou por redes sociais chegou inclusive a confundir as autoridades e os meios de comunicação.

Diante de fatos assim, totalmente inesperados, no passado nos encontrávamos ante um vazio de informação. Mas hoje em dia, graças à tecnologia e aos chamados telefones inteligentes, um caudal de relatos, fotos e vídeos se encontra potencialmente à mão de qualquer um. Especialmente depois da maratona de Boston.

Pensemos. Na linha de chegada havia milhares de espectadores com suas câmeras e celulares na mão, sem falar da quantidade de jornalistas que estavam ali cobrindo o evento desportivo. O que ocorreu na maratona de Boston pode ser considerado como um exemplo típico de como uma audiência massiva pode participar da cobertura jornalística por meio das redes sociais.

No entanto, na hora da investigação policial, o que poderia ser visto como uma vantagem, terminou sendo um obstáculo. Alguns sites de notícias, mesmo nos Estados Unidos, transmitiram informação que resultou ser falsa.

Recentemente escutei na rádio a Jamie Bartlett, encarregado de redes sociais da ONG Demos, do Reino unido. Em uma entrevista à BBC, ele dizia que na atualidade observar o que se compartilha nas redes sociais pode ser considerado como um novo ramo de inteligência, que as autoridades podem utilizar para obter informações valiosas. No entanto, Barlett esclarece que isso requer novas ferramentas, técnicas e sistemas para poder filtrar a informação que pode chegar a ser verdadeiramente útil. “Só porque algo foi retuitado um milhão de vezes, não significa que seja a verdade”, dizia o especialista no Today Programme, da Rádio 4.

O mesmo ocorre no jornalismo e esse é um desafio constante que temos, tanto na BBC Mundo, como no resto na BBC. Isso me assegurou Trushar Barot, editor de UGC (User Generated Content), o departamento central da BBC que trabalha verificando o conteúdo gerado por usuários. Ao conversar sobre este tema perguntei a ele como procedia. Seu conselho, depois de lidar durante anos com as imagens vindas de nossa audiência, é ser sempre cético. Sempre.

Há sinais para comprovar a autenticidade de uma imagem. O primeiro é estabelecer o que se conhece a respeito de um fato, a partir dos relatos de nossos correspondentes no terreno ou outras agências de notícias, e, sobre essa base, começar a julgar. Por exemplo, podemos verificar se o clima nessa parte do mundo corresponde ao que se vê na fotografia, ou se não há algum outro elemento na imagem que salte à vista. Ou, por meio de outros procedimentos técnicos sobre os quais não quero aborrecê-los, comprovar se essa imagem foi manipulada ou publicada previamente em outro contexto e qual é sua antiguidade. O importante aqui é reiterar a necessidade da cautela e verificar os fatos.

Há um risco muito grande em nosso trabalho: desinformar ao invés de informar, oferecendo dados errados. Um risco que se repete perante fatos noticiosos muito grandes, em relação aos quais, seja por engano ou por má fé, em muitos casos, as imagens compartilhadas em redes sociais pelo público em geral não correspondem à realidade.

Muitos acreditam que, no futuro, as redes sociais substituirão o trabalho jornalístico. Eu não estou muito seguro. De fato, não acredito nisso. O que vocês pensam?