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sábado, 19 de novembro de 2011

Crise no ensino médico?

Nota baixa comprova crise no ensino da Medicina, diz Conselho Federal de Medicina

(do portal Terra)


O Conselho Federal de Medicina afirmou nesta sexta-feira que o resultado da avaliação do Ministério da Educação (MEC) sobre o desempenho das instituições de ensino superior comprovam a "crise" do ensino da Medicina no País. De acordo com o órgão, "a má qualidade do ensino médico atingiu nível preocupante, que exige a adoção de medidas pela sociedade e pelas autoridades."

Veja as melhores e piores instituições na avaliação do MEC

Os dados por curso apresentados pelo MEC na quinta-feira apontam que nenhuma das 141 instituições que oferecem o curso de Medicina conseguiram ser classificados na faixa máxima - 5 - do Conceito Preliminar de Cursos (CPC). Além disso, o conselho apontou como "preocupante" o fato de mais de 20 terem alcançado conceito insatisfatório - 1 e 2.

De acordo com o conselho, o baixo desempenho afeta, principalmente, a população que fica "a mercê da assistência oferecida por indivíduos com formação deficiente". O órgão apontou ainda que o resultado é fruto da abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina pelo País.

"Esperamos rigor e seriedade na formação do médico brasileiro, eliminando as distorções no ensino que prejudicam toda a sociedade. Somente, assim o País poderá contar com uma assistência de qualidade tanto na rede pública, quanto privada", diz a entidade em documento que será encaminhado ao MEC.

MEC corta vagas de Medicina
O MEC deu início ao processo de supervisão dos cursos com baixo desempenho nas avaliações da pasta. No Diário Oficial da União desta sexta, foram publicadas as medidas cautelares que suspendem 514 vagas de 16 cursos de Medicina que tiveram nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC).

O indicador varia em uma escala de 1 a 5 e é calculado com base no desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e em outros critérios como a infraestrutura e o corpo docente da instituição.

Os cursos que sofreram o corte são todos de instituições privadas de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Maranhão, de Rondônia, do Tocantins e de Mato Grosso. O ministério pretende suspender até o fim do ano 50 mil vagas em graduações na área da saúde, ciências contábeis e administração que tiveram resultado insatisfatório nas avaliações de 2009 ou 2010.

Confira a íntegra da nota do Conselho Federal de Medicina:

Com base nos resultados do Conceito Preliminar de Cursos (CPC), divulgado pelo Ministério da Educação, na quinta-feira (17), o Conselho Federal de Medicina (CFM), que se preocupa com a formação dos médicos brasileiros como forma de assegurar atendimento digno, chama - mais uma vez - a atenção da sociedade e das autoridades para o problema da má qualidade do ensino médico oferecido atualmente.
É preocupante o número de escolas médicas que alcançaram notas ruins, entre 1 e 2 (de 141 instituições avaliadas, um total de 23). Também é lamentável que nenhuma delas tenha obtido nota suficiente para ser classificada na faixa máxima (nota 5).
Este resultado é consequência da abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina em território nacional, há tempos denunciada pelo CFM e pelos conselhos regionais de medicina (CRMs). Ao fazer este alerta, ressaltamos que a situação atual do ensino médico não condiz com as preocupações humanitárias e sociais pertinentes à Saúde e à Medicina.
O quadro descortinado pelo CPC denota a prevalência de interesses econômicos e políticos sobre a preocupação legítima com a qualidade da formação de futuros médicos. De 2000 a 2010, o número de escolas médicas pulou de 100 para 181. Das que entraram em funcionamento, 72,5% (58 escolas) são privadas e visam o lucro.
No entanto, a multiplicação dessas instituições não solucionou a povoação de médicos nos locais desassistidos e sequer melhorou a qualidade daqueles ali formados. Não há dúvida que número importante das escolas médicas em atividade está sem condições plenas de funcionamento, seja em termos de instalações, seja em termos de conteúdo pedagógico, incluindo aí questões ligadas aos corpos docentes. Infelizmente, essa situação, tem prejudicado, sobretudo, a população que fica à mercê de profissionais com formação deficiente.
Neste contexto, o CFM - novamente - alerta os brasileiros para esta realidade e considera oportuna a decisão do MEC de supervisionar o ensino oferecido por algumas escolas médicas, o que implicará, de imediato, no corte de 512 vagas em cursos com notas ruins.
Por outro lado, ficamos preocupados com o anúncio do próprio MEC de abertura de outras 320 vagas em algumas escolas, o que, no mínimo, indica que alunos e professores destas instituições terão que dividir os parcos recursos que têm, fragilizando ainda mais as condições de ensino.
Esperamos rigor e seriedade na formação do médico brasileiro, eliminando as distorções no ensino que prejudicam toda a sociedade. Somente, assim o país poderá contar com uma assistência de qualidade tanto na rede pública, quanto privada.


Comentário do Senhor C.:

- A notícia e a reação a ela precisam ser vistas com  cautela. Embora se possa concordar com o CFM de que não pode haver cursos com desempenho sofrível - quaisquer que sejam os critérios de avaliação utilizados. Mas tanto quanto médicos, em toda e qualquer formação é preciso melhorar os processos de avaliação e acompanhamento do desempenho dos egressos. Nunca, porém, se pode recorrer ao ato de culpar o termômetro pela febre. Neste caso, fiquemos alertas para as possíveis soluções à vista, como a defesa da adoção de exame de ordem. Sejamos claro, se exames de ordem fossem eficazes não haveria advogados ruins - ou eticamente reprováveis (não é, senhor Ophir?). É porque avaliação deve ser um processo contínuo e feito por quem forma, não por quem regula. Não se pode pedir ao sapato que seja o metro da perícia do sapateiro, embora possa haver algo de sua ação no modo como o sapato calça o pé de quem o compra.


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